Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A invenção de um mundo comum em O som do rugido da onça (2021), de Micheliny Verunschk
Patrícia Names (PUCRS)
Toda obra literária traz em si uma perspectiva de mundo, ou seja, um modo de pensar e ver a realidade. Neste sentido, o presente estudo busca explorar o modo como Micheliny Verunschk reconstrói em seu livro O som do rugido da onça (2021) dois modos de pensar e imaginar o Brasil, um que traz o ponto de vista do colonizador, outro do colonizado. Com isto, busca-se, a partir de uma exegese do texto em si, explorar o modo que, a partir do ponto de vista da personagem, a menina indígena Iñe-e, um Brasil poético ganha forma e, ao mesmo tempo, do ponto de vista dos exploradores naturalistas, busca-se explorar esse Brasil mítico, reconstruído a partir dos povos originários do Brasil. Outrossim, dados preliminares do estudo apontam que entre o poético e mítico, habita a dor, o sofrimento, a morte do outro que, atravessada pelo encontro entre o colonizado e colonizador, ecoa no tempo atual itinerários de dor, perda e sofrimento, que ainda hoje se fazem presentes entre as populações marginais de nosso país. Na narrativa construída por Micheliny Verunschk, a autora desenvolve seu argumento tomando como base a chegada de dois exploradores e colecionistas alemães no Brasil, os quais, a partir da relação construída por estes com os indígenas, começam a buscar e adquirir artefatos considerados significativos da cultura e identidade brasileira para levar para a Alemanha. Nesse jogo entre os personagens principais, é explorada a cosmogonia indígena e o modo como ela subjaz e ordena, o ser e estar no mundo da etnia a que pertence. Argumento esse que serve como base para a coisificação da infância e permite aos pais das crianças indígenas darem-nas aos exploradores e colecionadores para que, estes, as levassem para Alemanha.
Palavras-chave: Brasil mítico; povos originários; O som do rugido da onça; Micheliny Verunschk.
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