Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A fuga da segmentaridade da Amazônia (sem rios) e do humano (sem liberdade): um diálogo entre a transitividade das lentes poéticas de “Cântico V” de João de Jesus Paz Loureiro e “Êxodos” de Torquato Neto.
Ângela Maria Vasconcelos Sampaio Góes (UFPA)
O trabalho promove o diálogo entre os poemas “Cântico V” de João de Jesus Paz Loureiro e “Êxodos” de Torquato Neto, cuja poesia se delineia a partir da sugestão de que é na transitividade que se dar a experimentação da vida como um grande rio (também mar), sempre inconstante e em movimento, para escapar da morte trazida pelos processos civilizatórios, consequência última da mitologia branca da qual fala Derrida, bem como do agenciamento dos rios e afogamento dos corpos, tal como percebe Luís Heleno Del Castillo. O objetivo é mostrar como a linguagem contemporânea da poesia sugere a fuga da ocidentalização, estabelecida na América Latina como expressão de um devir-molecular capaz de traduzir o desejo de libertação dos processos de subjetivação maquínicos. Para tanto, promovemos uma interface entre os referidos poemas e as ideias de: ecosofia e caosmose de Félix Guattari; segmentaridade e fluxo de quanta de Deleuze e Guattari; invenção da Amazônia de Neide Gondim; o contemporâneo de Giorgio Agamben, afogamento dos corpos de Del Castillo; mitologia branca de Derrida; o entrelugar do discurso latino-americano e o cosmopolitismo do pobre de Silviano Santiago. Situando as referidas aproximações dentro de um debate filosófico, artístico e crítico, chegou-se à conclusão de que os poemas de João de Jesus Paz Loureiro e de Torquato Neto conseguiram, graças à capacidade de inserirem-se em uma perspectiva contra hegemônica, pensar poeticamente o fluxo de quanta como alternativa para libertar os rios e corpos humanos da segmentaridade ocidentalista.
Palavras-chave: poesia contemporânea; América Latina; Amazônia; segmentaridade e fluxo de quanta.
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