Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Samuel Rawet e a milenar errância judaica
Saul Kirschb aum (pesquisador independente)
Entre o sexto século antes da era comum e a primeira metade do século vinte da era comum, a história do povo judeu é marcada por uma sucessão de expulsões, exílios, migrações forçadas. Destino ontológico ou sucessão de conjunturas históricas interligadas em maior ou menor grau, essa sucessão pode ser resumida em uma palavra: errâncias; catástrofes que marcaram de forma indelével a postura desse povo em seu relacionamento com o mundo não-judaico, com as populações de acolhimento (ou de opressão). O escritor judeu-polonês-brasileiro Samuel Rawet, ele mesmo vítima dessa conjuntura - dadas as condições opressivas a que a população judaica da Polônia foi submetida no período entre guerras mundiais -, veio, em sua vida e em sua obra literária, a refletir esta condição existencial; nas palavras de Flávio Moreira da Costa, responsável pela orelha de Samuel Rawet: contos e novelas reunidos (2004), “há dois tipos, simplificando, de escritores de origem judaica: os que respeitam a tradição cultural de seu povo, e fazem disso o caldo principal de sua criação, como Singer e o nosso Scliar, e aqueles que lutam com e às vezes contra ela, como Roth e o nosso Rawet. Rawet, aliás, debateu-se tanto que, mais errante do que judeu, se perdeu no final do caminho. Sua morte solitária em Brasília, ‘perseguido’ por tudo e por todos, é o próprio retrato trágico do isolamento humano”. Nesta comunicação focalizaremos a obra prima de Samuel Rawet, a novela “Viagens de Ahasverus à terra alheia em busca de um passado que não existe porque é futuro e de um futuro que já passou porque sonhado”, publicada originalmente em 1970, texto em que o autor oferece um amplo panorama da milenar errância judaica, em suas dimensões espaciais e temporais.
Palavras-chave: errâncias judaicas; literatura judaica; Samuel Rawet
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