Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
SAÍDAS POÉTICAS NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA DA AMAZÔNIA
Stélio Rafael Azevedo de Jesus (UFPA)
O presente trabalho discorre sobre a formação do tempo na Amazônia como alongamento da mentalidade ocidental, cujo resultado se dá na lógica de uma sincronia capitalista de exploração das naturezas ecológica e humana. Um Estado fantasma gera territórios delicados, nos quais as violências sociais e ambientais surgem da consequência de um olhar temporal semelhante aos primeiros séculos de colonização da Amazônia. Nesse sentido, a tristeza, a desesperança e o esvaziamento da fala são orquestrados pela distopia do presente, a culminar em literaturas que tensionam ao máximo a falta de saída para as tragédias históricas do mundo contemporâneo. Por outro lado, em meio ao avanço tecnológico e as tentativas de ordenar o comportamento, os sentimentos e o pensamento a fim de direcioná-los à ordem do comércio, das leis e da degradação incessantes, deparamo-nos com literaturas que para apontam caminhos outros, como saídas do labirinto da distopia para nova subjetivação do indivíduo, como lê-se no devaneio-lúcido de Relato de um certo oriente (1989), de Milton Hatoum, ou na Andara de A Asa e a Serpente (2003), lugar que habita a literatura fantasma de Vicente Franz Cecim, ou na fantasmagoria como movimento de si em meio ao emparedamento humano, em Albergue Noturno (2005), de Edilson Pantoja e na escrita poética do corpo feminino cheio de dores impregnando memória e presente em Grandes Lábios (2021), de Mayara La-Roque. Assim, dentro da distopia, a morte, assombrações e desesperanças originam saídas poéticas como tempo e vida em prosas contemporâneas. Nesse sentido, o estudo dialoga teoricamente com Ricoeur (1994), Guattari (1992), Deleuze e Guattari (1997), Agamben (1999) e Castilo (2021).
Palavras-chave: Tempo; Amazônia; Literatura.
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