Ricardo Augusto Garro Silva (Universidade Federal de Minas Gerais)
A comunicação terá como objetivo analisar parte da obra ficcional de Bernardo Kucinski em que temas relativos a viagens, migrações e ao estabelecimento da cultura judaica no Brasil se constituam como elementos das narrativas. De origem judaica, Kucinski tem sua obra ficcional marcada por temas ligados à violência política e a embates identitários e geracionais que salientam diferenças constitutivas entre sujeitos e coletividade. Dentro dessa perspectiva, um dos aspectos a que cabe salientar está ligado justamente à sua relação com a língua ídiche, seja no tocante à criação literária, seja referente às relações estabelecidas entre familiares, sobretudo pais e filhos. Em seus livros, ora o ídiche é referido como um ponto de desacerto e barreira que representa a incapacidade de entendimento e de estabelecimento de relações pessoais, ora como fonte de herança familiar capaz de unir passado e presente na busca do restabelecimento de uma memória coletiva. É intenção partir de Aventuras de uma língua errante, livro de Jacó Guinsburg sobre o ídiche, no qual o autor apresenta a língua como fator histórico de permanência e difusão da cultura judaica pelos séculos, para traçar, na obra de Kucinski, as referências que, em diálogo com a cultura geral brasileira, se mostram como estratégia de afirmação da cultura e das tradições judaicas na sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Bernardo Kucinski; imigração judaica; ídiche; shoá; violência de Estado.