Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Carolina Maria de Jesus e José de Carvalho, dois casos de uma flanerie no século XXI.
TIAGO MINE VIEIRA (UNIFESP)
Sob o signo da modernidade e dos grandes centros urbanos, discutiremos Carolina Maria de Jesus com Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960) e José de Carvalho com Buquê: cenas de rua (2009), como dois fenômenos inicialmente estranhos e atípicos dentro da tradição e dos estudos da bohème e da flanerie. Entranhados em vias públicas, ruas, espaços de passagem, ambos os autores apresentam uma literatura típica das cidades em conformidade com a natureza e a estrutura dessas paisagens. Ubicados à atividade de caminhar pelas ruas, suas obras desenvolvem-se dentro dessa dinâmica e revelam traços de uma flanerie do baixo equador, uma errância que contribui para a compreensão dessas literaturas diante dos desafios de leitura e compreensão dos tempos atuais. Discutiremos em Quarto de Despejo uma superação da visão estrita do gênero diário, em que a autora registra suas experimentações estéticas e cria sua visão de mundo como uma flaneuse que se confronta com um país que se encontra às voltas com a invenção de sua própria modernidade, essa perspectiva pretende contribuir com as demandas e os esforços decoloniais. Em Buquê, trazemos para a discussão o escritor marginal, que busca recriar uma flanerie e uma bohème pessoal dentro das contradições que o cercam no ombro a ombro com a cidade, clivando sua produção para fora do mercado que, pela abordagem direta, corpo a corpo, faz chegar às mãos dos leitores aquilo que escreve. Para dar concretude a essa análise, nos valemos de uma leitura que leituras de Walter Benjamin e Antonio Cândido a respeito dos temas de modernidade e sistema literário, compreendendo a noção de desenvolvimento histórico proposto por esses pensadores, como ferramenta atual para repensar algumas questões inerentes à produção da vida e da arte no século XXI.
Palavras-chave: Flanerie; Modernidade; Marginalidade; Gênero.
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