Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A psique esfacelada da Angola bombardeada: Guerra e reconstrução na poesia de Arlindo Barbeitos
LUIZ FELIPE DE QUEIROGA AGUIAR LEITE (Uninassau)
A poesia de guerra de Arlindo Barbeitos pode ser vista como uma representação da psique esfacelada do povo angolano. Ao mesmo tempo, do esfacelamento, sua poesia chama pelo humano, que subjaz escondido em meio à paisagem desoladora da Angola em guerra. A luta de reconstrução continua, mesmo sob o dilaceramento, o interior da psique quer se reconstruir. A guerra e a situação colonial, diz Barbeitos, é a grande barriga onde cresce sua poesia. É limpeza e libertação! Diante do inevitável, resta a busca do ser, que nunca pode ser esquecida ou evitada. O si-mesmo precisa ser reconhecido em sua experiência profunda. Assim, o indivíduo e a coletividade podem ressurgir reconstruídos. Para nos debruçarmos sobre essa psique esfacelada que clama por reconstrução tomamos primeiramente Jung, em Presente e futuro (2013a). Neste, a psique do indivíduo é confrontada com a psique da coletividade. A elas se põe um desafio: reconhecer sua consciência e identidade diante da massificação do Estado, em busca do seu autoconhecimento, perdido pelo dilaceramento da psique na guerra. Num segundo momento, atentamos para o reconhecimento dessa consciência e identidade, e pela busca por esse autoconhecimento, que não podem existir sem um encontro profundo com o si-mesmo, com o self. E o encontro com o self não pode ocorrer sem uma base fundamental: a preocupação ética. Assim, ele direciona o processo de reconstrução. Em Aion (2013b, p. 52), Jung dirá que neste encontro é reservado ao homem uma decisão ética. A ética não se limita a uma responsabilidade do ser para o outro, linguagem de Levinas (2010, p. 81), mas também do ser para consigo mesmo, de onde se relaciona com a coletividade. Aos povos do exílio não deve servir só o resgate, por vezes inevitável, mas o próprio processo de autoconstrução a que todo povo autônomo deve ter direito.
Palavras-chave: Psique; Guerra; Arlindo Barbeitos.
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