Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A prosa claustrofóbica de Samuel Beckett
Gabriela Ghizzi Vescovi (Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP))
Este trabalho visa analisar a delimitação o espaço e os movimentos possíveis presentes em alguns textos curtos escritos em prosa por Samuel Beckett: especialmente "The Lost Ones" (1971) e "Imagination Dead Imagine" (1965). Na década de 1960, o autor se dedica a criar vários espaços de confinamento contendo um ou mais corpos dentro, condenados a ciclos de luminosidade e temperatura, sem grande possibilidade de ação ou fuga dessas dinâmicas. Pretende-se observar esse corpus tendo em vista o jogo estabelecido entre narração e descrição para compor os espaços fechados e a existência desses seres enclausurados e as cenas propostas, em que os seres são limitados em seu livre-arbítrio e sua capacidade de ação. As perspectivas de Theodor Adorno sobre as fases do modernismo e as proposições de Carlos Berriel e George Claeys acerca das distopias são tomadas como base para a investigação acerca desses mundos em questão. A análise do corpus se dá, assim, à luz da fortuna crítica do autor, de sua obra completa e de alguns conceitos essenciais para o entendimento das distopias. Qual seria a relação entre mundo subjetivo e objetivo? O que há fora desses espaços? Estariam eles fora do mundo? Como é possível pensar a história, então? Como se relacionam com o presente histórico em que foram escritos? Os textos constituem distopias? Estas são algumas das questões que este trabalho pretende responder, ainda que não definitivamente, observando a projeção de aspectos daquele momento histórico nesses outros mundos, a organização da sociedade, a condenação dos seres a uma realidade e a estaticidade da história.
Palavras-chave: Samuel Beckett; Distopia; Modernismos.
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