Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A INSURGÊNCIA E A RESISTÊNCIA DAS MULHERES NEGRAS EM TORTO ARADO DE ITAMAR VIEIRA JUNIOR
Gabriela Santos Barbosa (Universidade Federal da Bahia)
Torto arado , de Itamar Vieira Junior, inaugura-se no cenário da literatura brasileira contemporânea com considerável impacto, haja vista a apreciação do público, a potente difusão e as críticas otimistas acerca do romance. Dentre as inúmeras percepções que saltam aos olhos, numa narrativa que traz à tona temas diversos entremeados aos resquícios da escravidão, vemos como a dominação masculina, o racismo e as políticas governamentais vigentes operam conjuntamente, fazendo surgir as mais variadas formas de violência. Ambientado na fictícia fazenda Água Negra, povoado do interior do estado da Bahia, o enredo traz a história de um povo quilombola que luta pelos direitos de sua terra e tem como ponto de partida o acidente trágico que marcará para sempre a existência das irmãs, Bibiana e Belonísia: em uma travessura de criança, elas tentam desvendar o segredo guardado que Donana, sua avó, guarda em uma mala que se encontrava embaixo da cama. Assim, a escolha dessa narrativa para pensarmos a representação da mulher na literatura brasileira, se justifica por ser uma obra que faz um desenho do que o próprio autor chamou como “Brasil profundo”; um Brasil permeado de imbrincadas relações servis, atravessada pela injustiça e por trabalho análogo à escravidão, além da violência, seca, crenças, lendas e religiosidades, própria da ancestralidade africana. Com isso, queremos fazer um traço, um rabisco dessas personagens que contam a própria história, mas que contam também a história de um povo, de uma coletividade, ou seja, refletir como o autor de Torto Arado constrói essas personagens à tinta de sangue, apontando o caminho para a decolonização dos seus corpos, mentes e vozes.
Palavras-chave: Resistência; Insurgência; Decolonização; Silenciamento
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