Julia Evelyn Muniz Barreto Guzman (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Marta Francisco de Oliveira (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Este trabalho tem como objetivo refletir acerca de como o projeto colonial instaurado em 1532 no Império Inca, e consequentemente na região que hoje está localizada a Bolívia, além de escravizar, explorar e descartar os corpos indígenas, corroborou a hierarquização e classificação desses corpos ao longo dos séculos. O preconceito e a classificação racial são uma ficção epistêmica (MIGNOLO, 2018) que resultam nas diferenças epistêmicas e ontológicas coloniais singulares de cada lócus. O ciclo vital/mortal da ferida colonial (ANZALDÚA, 2007) reflete nas epistemologias eurocêntricas persistentes no país aqui exposto, até causar uma ferida constante, resultando no preconceito étnico-racial. O presente trabalho está vinculado a tese de doutorado intitulada “O corpo(geo)político boliviano: teorizações fronteiriças descoloniais”, em processo de desenvolvimento, no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (PPGEL), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), desde março de 2021. Dessa maneira, este trabalho nos ajuda a pensar na outra face do projeto colonial, que resultou na ferida colonial da Bolívia, ou seja, reflete também o processo de resistência e descolonialidade dos corpos indígenas desde os tempos da colônia Para tal, nos valemos de teóricos como Walter Mignolo (2018;2005), Fausto Reinaga (2010), Gloria Anzaldúa (2007), Silvia Rivera Cusicanqui (1993), dentre outros.