Rayi Kena Ferraz da Cunha de Souza Teixeira (UFRJ)
O objeto principal desta apresentação será o texto “Nove bocas da nova musa” da poeta Ana Cristina César que saiu como artigo de jornal para o periódico Opinião em 25 de junho de 1976. Trata-se de um artigo de opinião curto sem pretensões teórico-críticas abrangentes, uma análise pontual sobre o lançamento do nº 42/43 da revista acadêmica Tempo Brasileiro que propunha apresentar a “Poesia Brasileira Hoje” (título da edição) a partir de uma pequena seleção de poemas e de textos críticos sobre a poesia da época. Ao fazer a crítica da revista, Ana Cristina diz que: “fica claro que não há uma reflexão por parte da revista sobre esta nova poesia, ou seja, uma proposta editorial que a oriente: o critério para publicação dos poemas foi simplesmente o seu ineditismo” (CÉSAR, 1993:46. Grifos da autora). A ausência de proposta editorial da revista referenciada por Ana Cristina parece apontar igualmente a dificuldade de se estabelecer critérios sobre os quais discutir a poesia contemporânea. Tal omissão é trazida logo de começo no texto de Ana C. como parte de um problema (um equívoco) crítico: a abstenção não esclarece nada. Ao analisar a posição crítica-literária da poeta em seu artigo de opinião buscaremos nessa apresentação a investigação e visualização de um campo crítico brasileiro específico sobre “as poesias contemporâneas” e como se dá o caso da crítica-poeta Ana Cristina César.
Palavras-chave: Crítica; Poeta crítico; Ana Cristina César; Poesia brasileira; Anos 70