Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Vidas mínimas: diário e fotografia nos arquivos do Museu Helena Antipoff
Pedro Rena Todeschi (Universidade Federal de Minas Gerais)
Nossa comunicação se dedica a apresentar os arquivos do Museu Helena Antipoff (sediado na cidade de Ibirité, no interior de Minas Gerais), se propondo a esboçar uma reflexão teórica sobre eles e fazer uma leitura comparada entre os diários escritos pelas professoras e alunos da Fazenda do Rosário e as fotografias capturadas naquele lugar na década de 1960. A sabedoria de Helena Antipoff, constituída no início do século XX na Europa (ao lado de Henri Bergson), depois na Rússia, após a Revolução de 1917, era transmitida em uma cidadezinha qualquer no interior do Brasil, quando recebeu um convite para fazer um curso de formação de professores ao longo de 2 anos, em 1929, onde acabou ficando até o final da sua vida, em 1974. A sua experiência com aqueles alunos brasileiros era marcada pela contingência social e histórica, como se o saber anteriormente constituído precisasse se transformar para se adaptar àquela paisagem. Para além de seu próprio diário íntimo inacabado, escrito em seu último ano de vida, a pedagoga instituiu a prática de escrita de diários coletivos. Em um texto publicado em 1948, intitulado “O diário na escola rural”, Helena Antipoff reflete sobre a experiência de escrita como prática de aprendizagem e como produção de documentação histórica em contínuo processo. Ela nos conta que eram os próprios alunos que narravam os acontecimentos do dia para as professoras, em um registro em que a voz da criança também foi grafada na história social. Ao longo de 30 anos (entre 1940 e 1970), as professoras se revezavam para escrever as experiências pedagógicas de cada dia, criando, assim, inscrições textuais que preservaram a memória cultural daquela época. Analisadas comparativamente com os diários, as fotografias adquirem uma legibilidade histórica, que é articulada com sua visibilidade, como postulou Walter Benjamin.
Palavras-chave: Helena Antipoff; Arquivo; Diário; Fotografia; Existências mínimas
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