A partir do livro “A teus pés”, de 1982, de Ana Cristina Cesar, Fabio Morais produz, em 2012, um livro de artista com o mesmo nome sobrepondo todos os versos de cada página da poeta ao final delas. Trabalha, assim, com uma espécie de escrita ilegível que tem como base um processo de apropriação - dada a relação com o texto de Ana C. - e como suporte o livro de artista, por explorar materialidades plásticas e visuais específicas.
Aqui, a proposta busca uma discussão acerca de como o fenômeno da apropriação chega e se desdobra na obra em questão, como a escrita se sustenta mesmo sendo quase impossível de ser lida e como o livro de artista atua para receber esses tipos de procedimentos, como ele se mostra relevante em tal contexto. Além disso, encontra-se um caminho para observar de que modo ocorre a apropriação de uma obra sendo tratada como um arquivo, no caso, com o artista Fabio Morais rasurando a poeta Ana Cristina Cesar.
Tratando a relação entre escrita e imagem e explorando ideias teóricas como as de contra-assinatura de Jacques Derrida, de escrita de Roland Barthes, passando por Leonardo Villa-Forte, que publicou recentemente sobre os processos de apropriação, deslocamentos e/ou intertextualidades, e por Maria do Carmo de Freitas Veneroso, com suas contribuições acerca do livro de artista, propõe-se apresentar um breve retrato de tais procedimentos artísticos envolvidos nesta obra de Fabio Morais que envolve tanto as áreas de Literatura, quanto de Arquivo e de Arte Visual.
Palavras-chave: Escrita; Livro de artista; Apropriação; Arquivo