Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Uma metáfora crítica entre Walter Benjamin e a poesia brasileira: A educação pelo Inferno
Rodrigo Cavelagna (Universidade Federal de São Carlos)
Esta comunicação apresenta uma metáfora crítica da experiência poética, a educação pelo inferno. Como se trata de resultado central de pesquisa de mestrado, pretende-se demonstrar um percurso crítico, a partir de uma série de relações entre a recepção e a atualidade dos conceitos de Walter Benjamin e de temas centrais da poesia brasileira. Uma “educação pelo inferno” corresponde a uma constelação de analogias, em sua implicação mútua, enquanto método e abordagem benjaminianos para apresentação da violência histórica, que envolvem a qualidade tátil, o inconsciente ótico, as formas oníricas e as metáforas da cura. Ao mesmo tempo, surge como nome de um mosaico, suscitado pela análise de um poeta, Roberto Piva. E se constrói sob determinado “espaço de imagem”, em uma aproximação de Benjamin e Octavio Paz, que toma os termos em seu ponto de indissociação: Poesia Política Violência. Apresenta-se, então, uma linha específica das metáforas e analogias do inferno: entre as teses “Sobre o conceito de História” (BENJAMIN, 2012; 2020), a sobrevivência dos vagalumes (DIDI-HUBERMANN, 2011), e Roberto Piva, sua referência à Dante e sua leitura de Antonin Artaud, o “Grã Cão” de Mário de Andrade, a Ditadura em Cacaso, a metapoética da composição de Racionais MC’s e a obra de Marcelo Ariel (2008). Esse percurso, portanto, envolve uma leitura da presença de Benjamin na poesia e na crítica contemporânea, mas atentos a um aspecto singular à cada composição, uma forma de leitura: com outras analogias e metáforas da escrita e da leitura poética, da reflexividade da obra de arte. Proponho discutir uma abordagem da poesia e do fazer poético, como forma de escrita, análise e apresentação das imagens da História.
Palavras-chave: Poesia brasileira; Walter Benjamin; Violência; Inferno; Metáfora crítica.
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