Em suas obras A Dívida Impagável e Toward a Global Idea of Race, Denise Ferreira da Silva traça o percurso das violências da analítica da racialidade na construção de uma relação eu-outro que é determinada pelos pressupostos ontoespistemológicos da separabilidade, determinabilidade e sequencialidade, e que delimitam aquilo que chamo de uma filosofia do colapso. O presente trabalho objetiva discutir como a crítica a tais pressupostos e o retorno da autora aos fundamentos da filosofia moderna se estruturam em uma leitura afropessimista da lógica da obliteração, tratando, de modo particular, o antagonismo entre a inevitabilidade de morte dentro do mundo ordenado (o mundo como o conhecemos) e em oposição ao mundo invertido, isto é, uma proposição de fim para o mundo ordenado em decorrência de uma nova possibilidade de rompimento. Para isso, analisa-se as críticas que a autora elabora para projeto d’O Contrato Racial, de Charles Mills, em sua tentativa de expansão da autodeterminação dos sujeitos como forma de não colapso, constituindo-se como um claro diálogo com a análise afropessimista da formulação de futuros, em especial a limitação e não sustentação do afrofuturismo enquanto proposição de modelo. Dessa maneira, analisa-se como o projeto de Denise Ferreira da Silva, a poética negra feminista, se constrói como o germinar de uma alternativa aos projetos decoloniais.
Palavras-chave: Colapso; Lógica da Obliteração; Afropessimismo; Contrato Racial; Denise Ferreira da Silva