Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
UMA INTRODUÇÃO AO TÓPOS DA NEOCRACIA
Breno Fernandes (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP))
Esta comunicação visa a introduzir no campo dos estudos literários o tópos da neocracia. Com base na definição de tópos de Carl Meiner se busca, em primeiro lugar, definir o que é uma neocracia: construção ficcional de sociedades ou comunidades de crianças que se ordenam, se mantêm e se preservam sem a tutela de adultos. Em seguida é proposta uma genealogia que busca mapear manifestações desse tópos desde seu surgimento, no final do século XIX, até o primeiro quartel do século XXI, demonstrando sua conexão com um processo histórico que construiu as ideias ou as idealizações de adulto e de criança que prevalecem em nosso tempo — ambos os conceitos entendidos como identidades, mais do que como condições psicobiológicas do corpo. Argumenta-se, na apresentação dessa genealogia, que uma das funções ou intenções do tópos da neocracia é criticar tais idealizações, sobretudo no que diz respeito à representação da criança como ser humano marcado por faltas e por incapacidades que fariam dela inapta para viver em meio aos adultos e para tomar parte nas decisões que dizem respeito ao bem-estar coletivo. A fim de ilustrar o argumento e fazer visível tanto a longevidade quanto o espraiamento do tópos por diferentes literaturas nacionais modernas e contemporâneas, em mais de um século de existência, serão mencionados 6 romances (A cruzada das crianças; Peter e Wendy; Capitães da areia; O senhor das Moscas; The girl who owned a city; República Luminosa) e 2 peças audiovisuais (The wall; Caverna do Dragão), não com o intuito de serem obras comentadas ou analisadas individualmente, mas de serem observadas em justaposição, como um mosaico ou como os traços sobre o papel que delineiam os contornos do mapa desejado.
Palavras-chave: criança; neocracia; tópos
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