A proposta dessa comunicação é pensar a concepção de poesia fazendo um jogo entre o texto poético de abertura da obra Poemas da recordação e outros movimentos, de Conceição Evaristo, e o poema intitulado Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Percebemos que a relação que as subjetividades poéticas nos poemas estabelecem com o que identificam ser a poesia é fundamentalmente diverso, senão mesmo antípodas. Nessa comunicação vou abordar os contornos dessa diferença em relação às categorias de gênero e raça e tempo, trabalho, escassez e liberdade. Surge daí uma meditação entre estética e política já presente mesmo nos poemas dessas duas grandes vozes da poesia brasileira. A ideia dessa proposta surgiu dos estudos que tenho realizado no âmbito do grupo de pesquisa Literatura e corpo que lidero no Poslit/UnB. A pesquisa no grupo alia uma abordagem de um feminismo afro-latino-americano agora profundamente inspirado em Lélia Gonzales e Beatriz Nascimento, com a construção de um olhar crítico sobre o ensino, a história e a crítica literária. Nossas principais referências são Conceição Evaristo (1996) e Cuti (2010) que argumentam longamente sobre a cumplicidade entre o projeto de nação dominante e as formulações que ordenam as estruturas simbólico-discursivas e o imaginário, daí a relação íntima entre os cânones e um projeto de nação que sustenta o patriarcalismo e os racismos de práticas institucionais e cotidianas em todas as áreas da vida.
Palavras-chave: Conceição Evaristo, Poemas da recordação e outros movimentos, poesia, crítica literária antirracista