Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Ruídos, sons e vibrações de vidas em Alberto Pucheu
Taise Teles Santana de Macedo (UFBA)
Publicado em 2020, “Vidas Rasteiras”, homônimo do livro do poeta Alberto Pucheu, é um longo poema que tensiona o rastejar coletivo de vidas invisibilizadas pelo Estado e pelo capital em todos os seus direitos fundamentais. A leitura desse texto literário permite-nos enxergar como a violação dos direitos humanos atinge grupos diversificados – imigrantes, refugiados, indígenas, pessoas em situação de rua – cujo desejo é apenas vingar. Nesse sentido, este trabalho problematiza como a poesia pucheuteana inventa formas mínimas de existência diante da constante deterioração e do “sequestro de subjetividades”. Conforme Peter Pál Pelbart (2018), a tendência detectada e intensificada, na contemporaneidade, é a captura dos modos plurais de existência. Em substituição a essa variação, emergem a vida tornada pobre, a vida como prisão e “o viver e pensar como porcos”. Fabulando uma outra cena, a literatura, ou melhor, a poesia, tece uma política de sujeitos ricos em experiências capazes de infiltrar a claustrofobia contemporânea (PETER PÁL PELBART, 2018). A literatura nos possibilita, enquanto palco de discursos e luta de narrativas, seguindo as palavras de Antonio Cândido (2011), pensar a respeito da negação dos direitos humanos, sobretudo quando expõe as contradições sociais destes tempos sombrios carregados de autoritarismo e de degradação das condições de sobrevivência. Em “Vidas rasteiras”, as esferas, “mesmo que frágeis” (PUCHEU, 2018), povoam terras, ruas e becos, emitindo ruídos, sons e vibrações de seus modos de liberar existências . Para ampliar esse conceito, David Lapoujade (2017) aponta que não há uma existência mais real ou autêntica do que outra; não há, portanto, uma hierarquia dos modos de ser. Cada maneira de ser é singular e incomparável. Assim, as existências mínimas comparecem em Pucheu para pôr em vista o direito de existir, o que provoca tanto uma discussão de ordem estética quanto político-ética.
Palavras-chave: Poesia; Direito; Modos; Existências
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