Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Roland Barthes e Marguerite Duras contemporâneos
Maria Cristina Vianna Kuntz (FFLCH-DTLLC-USP)
Marguerite Duras nasceu em 1914 e Barthes em 1915. Nascida no Vietnã, a escritora foi para a França aos dezessete anos e tendo estudado na Sorbonne, participou ativamente de todos os acontecimentos do século. Já na década de 1950, Barthes frequentava as reuniões de intelectuais no apartamento da escritora na Rue St Benoît, em St. Germain de Près. Pode-se, pois, afirmar ter havido muita troca nessa convivência que se revela nas concepções de escrita de Duras, ecos das teorias textuais barthesianas, tais como: a obra aberta, a leitura plural, o intertexto, a participação do leitor no significado da obra etc. (cf. HANANIA, 2008, p.50) . Com a publicação de Moderato Cantabile (1958) Duras marca a mudança definitiva em sua escrita. Embora Barthes lamente essa nova escolha, na verdade valoriza-a, uma vez que fez parte do júri que outorgou a ela o “prêmio de Maio” por esse romance. Em Viver junto, Barthes explica sobre a importância espacial “dos acontecimentos”. Para Duras, sua infância no Vietnã marcará parte de sua obra: o chamado ciclo da Índia (1964-1970) que engloba seus romances mais originais (O Deslumbramento, O Vice-Cônsul) e os romances autobiográficos (Barragem contra o Pacífico, O Amante e O Amante da China do Norte) se passam no Extremo Oriente. O conceito de idiorritmia, que, para Barthes (2003), consiste no respeito ao ritmo de cada um, preservando a conciliação com a sociedade, ressoa para Duras de maneira parcial uma vez que ela construiu sua vida e sua obra segundo seu “próprio ritmo”, agradando ou escandalizando a muitos. Escritora midiática avant-la-lettre, Duras foi escritora, dramaturga e cineasta, dedicando-se, pois, à pluralidade dos signos em suas obras. Nessa intervenção, pretendemos examinar em que medida algumas concepções barthesianas estão patentes em O Amante da China do Norte e Emily L. de Marguerite Duras.
Palavras-chave: Marguerite Duras; Roland Barthes; contemporaneidade; idiorritmia; escritura
VOLTAR