Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Representação e beleza: o estranhamento em Marilene Felinto e Aurora Venturini
Gabriella Mikaloski Pinto da Silva (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
A proposta do presente trabalho é traçar um paralelo entre o conto “Hipertexto a lápis”, de Marilene Felinto, e o romance As primas, de Aurora Venturini. A partir da diferença de gêneros literários, o primeiro sendo conto e o segundo, romance, analisaremos estratégias em comum na formação da identidade feminina contemporânea no Brasil e na Argentina. Enquanto Felinto, brasileira, frequentemente trata de questões relacionadas à infância e à dureza da vida, Venturini, argentina, estreou as publicações com As primas, aos 85 anos de idade, trazendo à superfície uma perspectiva diferenciada acerca da vida: a da estranheza visível. É aí que ambas se aproximam: no conto de Marilene Felinto, a personagem principal perscruta a memória, acessando a dor de se achar feia tal como o pai a dizia, para desenhar em perspectiva a professora que era capaz de achar beleza em qualquer pessoa; no romance de Aurora Venturini, a protagonista é uma jovem artista bem-sucedida que, com o auxílio inicial do professor, consegue estabelecer uma carreira, mesmo com deficiência na fala. O que não se pode falar ainda pode ser representado, afinal. As duas personagens, tanto a do conto quanto a do romance, estão às voltas com o mesmo dilema: dar forma; representar, por meio do desenho, ora realista, ora abstrato, pessoas e situações que as cercam. A realidade dessas personagens, para dizer com Édouard Glissant, é deslocamento. Georges Didi-Huberman, em O que vemos, o que nos olha, cita uma passagem de Joyce: “Fechemos os olhos para ver”, estratégia encontrada também pelas personagens para enxergar imagens que finalmente poderão ser representadas ao tocar os instrumentos que as servem: papel, lápis, tela, tinta, enfim, beleza.
Palavras-chave: Literatura brasileira; Literatura argentina; Estranhamento; Representação.
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