Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Reflorestar o imaginário: relações entre corpo e território em uma cena da arte indígena contemporânea
Barbara Alves Matias (Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ))
Apesar dos avanços industriais e tecnológicos, um modo de vida na Terra tem se consolidado sob as marcas da escassez de recursos, da desigualdade entre as pessoas e da fome em paralelo ao desperdício. Diante disso, a discursividade hegemônica – colonial, branca, patriarcal, capitalista – fabrica formas de elaborar o mundo sob a égide de melancolia, pessimismo, apatia. Em contrapartida, críticas indígenas e outras produções historicamente subalternizadas têm mobilizado uma revisão epistemológica e, desse modo, fornecido estratégias para adiar o fim. Nesse sentido, esta comunicação tem por objetivo oferecer uma breve investigação de como os conceitos de corpo e território são operados em obras de Sallisa Rosa e raps de Katú Mirim, à luz da hipótese de que, por meio da metáfora da árvore, é possível propor um reflorestamento do imaginário que denuncia e fissura os modos de funcionamento do sistema colonial de poder. Para tanto, serão fundamentais o conceito de “monocultura do pensamento”, proposto por Geni Núñez (2022), bem como os pressupostos de Ailton Krenak, em Ideias para adiar o fim do mundo (2019), e de Davi Kopenawa e Bruce Albert, em A queda do céu – Palavras de uma xamã yanomami (2015). O estudo, em fase inicial, apoia-se na perspectiva de que cenas da arte indígena contemporânea têm deixado rastros de uma reconfiguração de símbolos e horizontes, que nos possibilitam habitar imaginários distintos dos enquadramentos propostos por lógicas coloniais. Esse gesto, por sua vez, pode ser acionado pela ramificação e pelo reflorestamento como metodologias que mobilizam a diversidade e a complexidade como potências criativas e zonas de atuação da multiplicidade capaz de lidar com as plasticidades camaleônicas das estruturas de poder vigentes. Afinal, se a colonialidade se apresenta por meio de diferentes manifestações, é preciso cultivar a pluralidade, a abundância, como tática de resistência e construção de coexistências.
Palavras-chave: Corpo; Território; Arte indígena contemporânea; Decolonialidade; Epistemologias plurais
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