Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Poetas-peões: A poesia revolucionária do homem comum no cinema
Maíra Pires Cabral Piccin (Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)), CLÁUDIO CLEDSON NOVAES (Universidade Estadual de Feira de Santana)
A presença da literatura no cinema vai além da adaptação. Muitas vezes essa arte é levada à tela grande não como um repositório de histórias a serem recontadas, mas como objeto de homenagem. É assim nos filmes O homem que virou suco (João Batista de Andrade, Brasil, 1980); A Febre do Rato (Claudio Assis, Brasil, 2011); e Paterson (Jim Jarmusch, EUA, 2016). Os três filmes, onde o personagem principal é um poeta, têm a literatura como ponto de partida, colocando a poesia e seus autores como alvo de reverência. No primeiro longa, um cordelista que deixou o Nordeste para viver em São Paulo se mostra capaz de lutar contra a opressão do capitalismo; no segundo, um poeta morador de Recife imprime sua poesia em casa e a distribui pelas ruas, acabando por deixar um pouco do seu desejo de liberdade naqueles que o cercam; em Paterson, o protagonista é um motorista de ônibus que escreve versos nas horas vagas, o que lhe permite lidar de forma positiva com a rotina repetitiva e desinteressante. Por meio desses três títulos, a sétima arte recorda ao público do poder da literatura enquanto ferramenta de resistência humana e, consequentemente, transformação pessoal e social. Os roteiros mostram que é por meio da poesia que os seus autores, os três homens comuns representantes das classes trabalhadoras, não apenas conseguem resistir à dureza do quotidiano, como também mudar o seu entorno. Nosso trabalho tem por objetivo mostrar como esses títulos constroem a figura do poeta e transmitem ao público a ideia da poesia/literatura como algo essencial ao desenvolvimento humano e social. As análises são fundamentadas sobretudo nos teóricos Antonio Candido, Georg Lukács e Raymond Williams.
Palavras-chave: Literatura; poesia; cinema; Antonio Candido; Georg Lukács.
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