Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Planeta(s) Maria(s): notas sobre algumas figurações do feminino nas canções de Elza Soares
Rafael Eisinger Guimarães (Universidade de Santa Cruz do Sul)
A carreira de Elza Soares, em especial após o álbum Do cóccix até o pescoço, lançado em 2002, propõe, em diversas canções, uma discussão da condição sobre a mulher e, de forma mais específica, da mulher negra. Tal postura vinculou a figura da cancionista ao movimento feminista contemporâneo, sobretudo no que tange às manifestações das jovens brasileiras na esfera das mídias digitais. Se nos álbuns produzidos na década de 1960, a figura da mulher negra reforça, em alguma medida, o estereótipo da mulata sensual, com nas canções “Mulata assanhada”, “As polegadas da mulata”, e “Mulata de verdade”, gravadas respectivamente nos álbuns Se acaso você chegasse, de 1960, A bossa negra, de 1961, e Sambossa, de 1963, a partir dos anos 1970, a artista carioca passa a gravar canções que tensionam a ideia de “mulata”, seja por mostrar figuras femininas que não se conformam com a condição passiva de objeto sexual, seja por apresentar outros elementos identitários que tornam mais complexa a experiência da mulher negra brasileira. Tendo em mente essas questões, proponho aqui uma leitura das figurações do feminino no cancioneiro de Elza Soares, a partir de um recorte composto pelas canções “Maria, Mária, Mariá”, “Maria José”, “Maria Pequena” e “Maria da Vila Matilde”. Para tanto, tomarei como base teórica as reflexões de feministas negras como Angela Davis (2016), Audre Lorde (2019), bell hooks (2019), Grada Kilomba (2019), Lélia González (2020), Patricia Hill Collins (2016) e Sueli Carneiro (2019), bem como as discussões teóricas sobre canção de nomes como Antonio Vicente Pietroforte (2021), José Roberto Carmo Jr. (2004), Leonardo Davino de Oliveira (2016), Luís Tatit (1996) e Ruth Finnegan (2008), dentre outros.
Palavras-chave: Figurações do feminino; Feminismo negro; Elza Soares.
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