Felipe Gonçalves Figueira (Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES)
Uma característica recorrente na literatura de Antônio Francisco Teixeira de Melo é a representação poética de espaços. Ora são fruto do empenho criativo do poeta em oposição àqueles da vida cotidiana, como no folheto “Meu sonho” (FRANCISCO, 2011b, p. 13-24) e em “As seis moedas de ouro” (idem, p. 51-64); ora são as cores e os cantos de seu sertão natal que são trazidos para seus versos a partir de sua perspectiva crítica, como em “Um bairro chamado Lagoa do Mato” (FRANCISCO, 2011a, p. 53 – 60). Em minha leitura, percebo a constituição desses espaços representados como um exercício literário de reflexão filosófica sobre fundamentos éticos e estéticos da própria sociedade no início de século XXI. Para o presente estudo, debruço-me sobre as representações das cidades, que, em sua composição, o autor reimagina como exercício crítico. Servem de corpus para o estudo os poemas encontrados nas antologias Por motivos de versos (FRANCISCO, 2011a), Sete contos de Maria (FRANCISCO, 2011b), Dez cordéis num cordel só (FRANCISCO, 2011c) e Quatro léguas e meia de cordel (FRANCISCO, 2019). Para o desenvolvimento das reflexões sobre as dimensões teóricas da representação do espaço e do tempo na literatura, são relevantes as proposições fundadas na análise do discurso de Mikhail Bakhtin (2006, 2018).