CAMILO JOSE TEIXEIRA LIMA DOMINGUES (PPGH-UFF/FAPERJ)
Há inúmeros artigos já publicados em periódicos internacionais que tratam da relação entre o romance O que fazer? (1863), de Nikolai Tchernychévski, com grandes obras da literatura europeia ocidental e russa. As obras de Jean-Jacques Rousseau – Julie ou a Nova Heloísa (1761), e George Sand – Jacques (1834), do lado ocidental, e de Aleksándr Herzen – Quem É o Culpado? (1845-1846) e Ivan Turguéniev – Pais e Filhos (1862), do lado russo, por exemplo, são sempre mencionadas como inspirações para o principal romance de Tchernychévski. No entanto, há romances e contos menos conhecidos da literatura russa que também travam possíveis diálogos literários com O que fazer?, como revelam os trabalhos de Mark Teplínski (1978), Michael Katz (1989), Andrew Drozd (2002). A partir das sugestões desses pesquisadores, este trabalho visa a demonstrar e analisar as relações dos romances Polinka Saks (1847), de Aleksándr Drujínin, O Sonho do Titio (1859), de Fiódor Dostoiévski, e Podvódni Kámen (1860), de Mikhail Avdéiev, com o romance do escritor e pensador russo. Pretende-se, assim, ampliar o espectro hermenêutico de abordagem da referida obra de Tchernychévski, incluindo-se não apenas a circulação de grandes obras literárias (russas e ocidentais) em sua análise, mas também a circulação de ideias, imagens e representações no interior da própria esfera literária russa, nas obras de menor alcance de público ou reconhecimento da crítica.
Palavras-chave: O Que Fazer?;Nikolai Tchernychévski;Literatura russa; Literatura comparada