O conto “Maria”, de Conceição Evaristo (2014), traz como personagem principal uma mulher negra e pobre que vivencia uma situação de violência em um transporte coletivo, quando retornava de sua jornada de trabalho. Ela representa um grupo e aponta para uma situação do cotidiano comum nas periferias brasileiras. Discutiremos, neste trabalho, a presença do pensamento colonialista em prol das discussões em torno da interseccionalidade, abordada a partir de um texto escrito por uma mulher negra. As temáticas sociais, incorporadas pela literatura atual, por vezes se voltam para uma tradição no âmbito social, histórico e literário, e, outras vezes, buscam encontrar um novo modo de ser, uma nova identidade, a partir da superação do passado. Portanto, observa-se que, no âmbito da literatura contemporânea, o resíduo pode se manifestar em benefício da afirmação dos preconceitos estruturais da nossa sociedade ao mesmo tempo em que surge como um convite à mudança, à inovação de pensamentos. Para esta abordagem, as principais ideias a serem resgatadas são as de Roberto Pontes (1999), no referente ao resíduo/residualidade, as de Maria Lugones (2019), acerca do feminismo decolonial, as de bell hooks (2019), sobre a presença da mulher negra nos movimentos feministas, e as de Conceição Evaristo, acerca da afro-brasilidade na literatura nacional.
Palavras-chave: Resíduo; literatura de autoria negra; Conceição Evaristo.