Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O horror como experiência coletiva: creepypastas e o caso Petscop
Lucas Laurentino de Oliveira (UFRJ)
As histórias de horror estão intimamente ligadas a construção de comunidades. Mais do que qualquer outro gênero, o horror é coletivamente experienciado. Prova disso é a imagem típica de um grupo reunido em volta da fogueira para contar casos de fantasmas, demônios e outros seres fantásticos. No mundo digital, a situação não é diferente. Embora os meios de propagação tenham mudado, as histórias continuam sendo experiências da coletividade. É nessa perspectiva que se enquadram as chamadas creepypastas, lendas urbanas forjadas na e para a internet, que aproveitam a imensa quantidade de referentes culturais e a grande velocidade de circulação das informações para elaborar histórias capazes de chocar e interessar seus leitores/espectadores. Com isso, jogos de videogame, desenhos, séries e filmes passam a ser a fonte da maioria dessas histórias, que se valem do apego emocional dos internautas para chamarem atenção e provocarem medo. O sucesso das creepypastas não se deve somente ao seu conteúdo pop, mas também, e principalmente, pelo caráter coletivo com que são construídas. O objetivo desta comunicação é analisar como o horror contemporâneo, multimídia, capitaneado pelas creepypastas, é uma construção intrinsecamente coletiva. Esse aspecto do gênero faz com que as histórias ganhem proporções muito maiores do que os seus iniciadores poderiam imaginar, aumentando o alcance e a complexidade das narrativas, uma vez que há uma relação estrutural entre a história contada e o seu público-alvo, turvando as fronteiras entre produção e recepção. O caso a ser analisado é a creepypasta Petscop, um canal do Youtube de mesmo nome que publicou, ao longo de três anos, uma série de vídeos de um suposto jogo de Playstation 1. Pretendemos, a partir daí, mostrar como esses vídeos são recebidos e ressignificados pelo público, que os transforma em uma narrativa coletivamente apreendida e construída.
Palavras-chave: creepypastas; horror contemporâneo; Petscop
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