Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O anjo boxeador e suas mensagens: algumas notas sobre a política das citações no Monodrama de Carlito Azevedo
Gabriel Mattos Gonzalez (Universidade Federal Fluminense)
Este trabalho visa apresentar algumas reflexões acerca do Monodrama (2009) de Carlito Azevedo. Tais reflexões se preocupam em ler esse livro à luz de uma figura que aparece de forma insistente ao longo de todos seus poemas, o anjo boxeador. Pretendo, aqui, não tanto propor novas chaves interpretativas, mas desdobrar possibilidades que nos abram aos procedimentos recorrentes nesse livro, como o caso das citações. Estas, como tentarei mostrar, podem ser lidas à luz da figura do anjo boxeador. Como lembra Jacques Rancière, em seu O espectador emancipado, uma figura sempre propõe um sistema de relações entre semelhança e dessemelhança. É ao substituir uma expressão por outra que ela nos faz experimentar a textura sensível de um acontecimento. Essa substituição, gostaria de notar, carrega a dimensão política da figura. Proponho, então, que o anjo boxeador possa ser lido como um mensageiro de muitas vozes, as quais compõem o que chamo de terceiro estado. Esse conceito deve ser entendido em sua dupla acepção, aquela própria à ciência política, como representação do povo que sustenta o estado; mas também como aquela tomada pela teoria quântica, representante de um operador de indeterminação, ou melhor, do próprio espaço de relação entre as coisas, enquanto um terceiro desestabilizador. Essa noção, me parece, abre a obra às muitas vozes ali presentes, aos seus ecos e suas ressonâncias. Desse modo, pode-se perguntar, quais seriam, as políticas dessa figura, quais relações com sensível elas propõem, como elas redistribuem os elementos da representação no livro. Sem que haja a pretensão de dar respostas definitivas às essas perguntas, tomo-as como deriva. Pois, é, ao se desdobrar as mensagens do anjo, em um jogo de dupla distância, que se olha de relance suas infinitas possibilidades.
Palavras-chave: Monodrama, Carlito Azevedo, Citações
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