Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
“Que minha dor não se perca”: Impermanência e o palco assombrado de Tony Kushner
Vanessa Cianconi (UERJ)
Originalmente encomendada por Joe Dowling, diretor artístico do Teatro Guthrie, Tiny Kushner (2009) compreende cinco peças que dialogam entre si, dentre elas, “Terminating or Sonnet LXXV ou "Lass Meine Schmerzen Nicht Verloren Sein" ou Ambivalence”. Inspirada no "Soneto 75" de William Shakespeare, esta peça de 30 minutos, com suas tiradas robustas contra tudo, desde a ambivalência humana e paradoxos existenciais até cortinas para janelas e o cheiro do sexo anal, apresenta Esther, uma analista, e seu antigo paciente, Hendryk, sentados em seu consultório junto com seus amantes, Dymphna e Billygoat, respectivamente. Como Hendryk, suplicam a Esther que o aceite de volta. Ler Tony Kushner é, em grande parte, um exercício desafiador. Kushner revisita “Angels” e a capacidade do ser humano de ser tão ambivalente em relação ao outro. Talvez possamos dizer que a ambivalência em “Angels” assombra “Terminating”. E é justamente sobre esse teatro assombrado de Kushner que esse texto pretende dissertar. Marvin Carlson em The Haunted Staged: The Theater as Memory Machine lembra que todo o teatro é assombrado por excelência e reafirma a máxima de Derrida quando esse afirma que depois do fim da história o espírito volta como uma assombração (revenant em francês significa regressar). Para o pensador francês o espectro é uma questão de repetição, pois esse é sempre um revenant, não se pode controlar as suas aparições pois ele começa retornando, logo, pode-se dizer que “Terminating” não é só assombrada pela memória de Shakespeare, mas também pelo próprio Tony Kushner.
Palavras-chave: Fantasmagoria; teatro; ambivalência; memória; Tony Kushner
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