Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Não verás Brasil algum? O distópico em "Corpos secos: um romance"
GABRIEL WIRZ LEITE (Universidade Federal da Bahia)
Desde a publicação em 1818 do livro “Frankenstein”, de Mary Shelley, a chamada literatura de ficção científica passou por diversos desdobramentos tanto em termos de temática quanto de forma. A máquina do tempo de H.G. Wells e as invenções de Jules Verne deram vez a cenários terríveis marcados por totalitarismos aliados a inovações tecnológicas, como nos romances de Aldous Huxley, George Orwell e, mais recentemente, Margaret Atwood. Como argumenta Adam Stock (2019), o gênero de ficção conhecido como distopia tem, mais que outros, alcançado valor cultural simbólico ao representar medos e ansiedades sobre o futuro. A ficção distópica se tornou, portanto, um ponto de referência para discussões sobre política, cultura popular, relações internacionais, segurança, discriminação racial, preocupações ambientais e muito mais. Em meio aos efeitos nefastos do capitalismo causados pela humanidade nesta era conhecida como antropoceno, narrativas distópicas têm sido uma constante de interesse. No Brasil, foram publicadas durante a pandemia da Covid-19 algumas obras que atravessam pontos característicos das distopias, como é o caso do romance “Corpos secos”, escrito por quatro pessoas: Luísa Geisler, Marcelo Ferroni, Natália Borges Polesso e Samir Machado de Massado. Um cenário pós-apocalíptico digno dos zumbis nos filmes do George Romero é retratado na obra, consequência dos produtos químicos utilizados pelo agronegócio brasileiro em sua problemática monocultura de soja. Assim, este trabalho visa analisar como o distópico é articulado nesta narrativa e que potência crítica ela pode ter, além de revisar um pouco sobre as teorias da ficção científica.
Palavras-chave: distopia; corpos; secos; ficção; científica
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