Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
muros que narram, muros que falam
Luísa Loureiro Monteiro de Castro Teixeira (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
A pesquisa se propõe a apresentar uma experiência narrativa que se dá em um dos suportes mais vivos: os muros da cidade. Zé Ninguém é uma série de graffitis feita pelo artista Alberto Serrano Tito, ou Tito na Rua, na cidade do Rio de Janeiro. A maior parte das imagens está espalhada por regiões periféricas, longe dos cartões postais da "cidade maravilhosa". Se vistas de modo isolado, funcionam como quadros isolados da história de Zé. Como a cidade não é numerada como as páginas de um livro, ao se deparar com uma dessas intervenções inscritas nas ruas, o leitor (ou o passante) não tem como saber em que momento da história ele está. Essa perspectiva muda quando a narrativa de Zé Ninguém é publicada como história em quadrinhos, em 2015. Construída a partir de um compilado de fotografias, o livro revela a sequencialidade inscrita nas ruas que, pela transitoriedade no graffiti, não pode ser reproduzida pela experiência de transitar pelo espaço público. Ainda assim, a cidade está presente na HQ, uma vez que o livro não traz a reprodução de imagens feitas exclusivamente para o papel, mas de fotografias retiradas dos graffitis, que revelam os muros, os becos e as ruas em que elas estiveram originalmente inscritas. Roland Barthes aponta que uma fotografia "jamais se distingue de seu referente (do que ela representa), ou pelo menos não se distingue dele de imediato ou para todo mundo (o que é feito por qualquer outra imagem, sobrecarregada, desde o início e por estatuto, com o modo como o objeto é simulado): [...]" (1984, p.14). Essa indistinção faz com a HQ leve consigo também a experiência do encontro com a paisagem urbana. É uma imagem dentro do contexto, que aponta para relações importantes entre imagem, narrativa e cidade.
Palavras-chave: Literatura e imagem; Histórias em quadrinho; Literatura e paisagem; Fotografia.
VOLTAR