Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Mulheres do fim do mundo: uma análise das trajetórias das personagens femininas em Corpo secos, de Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natália Borges Polesso e Samir Machado de Machado
ALICE DE ARAUJO NASCIMENTO PEREIRA (IFFluminense)
No estudo The Post-Apocalyptic novel in the Twenty-first Century (2016), Heather Hicks afirma que, devido ao advento da modernidade no século XVIII, os romances pós-apocalípticos passaram a apontar para o colapso da própria modernidade ao invés de contarem a história da aniquilação da humanidade. Ao considerarmos que o patriarcado é um dos elementos constitutivos fundamentais dessa modernidade, devemos observar quais, o que revelam e em que implicam as perspectivas para as mulheres representadas nesses romances. Como ficam as vidas das mulheres em um contexto de completo colapso social? Como suas relações interpessoais se modificam; que resquícios do passado se mantêm; que perigos elas correm; que portas se abrem? Pretendemos responder esses questionamentos lançando nosso olhar sobre as personagens do romance apocalíptico brasileiro de temática zumbi, Corpos Secos (2020). Pensando a partir das questões de gênero contemporâneas, como discutidas por Joan Scott e Cinzia Arruzza, e das lutas do movimento feminista em nosso país, examinaremos como alguns dos papéis relegados ás mulheres – de esposas, mães, donas de casa - são profundamente afetados e ressignificados na narrativa. Examinaremos ainda como muitas das expectativas sobre elas são mantidas e até mesmo reforçadas nessas circunstâncias. Embora haja reconfigurações positivas possíveis a partir da desagregação das estruturas e alianças pela sobrevivência que elas conseguem formar, em diversos momentos, esse mesmo desmantelamento coloca mulheres e crianças em posição vulnerável e sujeitas a formas de violência mais severas. Por fim, buscaremos apontar como a resiliência das personagens parece ser uma chave importante para uma possibilidade de recomeço.
Palavras-chave: Literatura brasileira; Gênero; Literatura pós-apocalíptica
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