Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
MEMÓRIA COLETIVA E RESISTÊNCIA NO ROMANCE TORTO ARADO, DE ITAMAR VIEIRA JUNIOR.
Josenilda Araújo Damasceno (PPGLITCULT - Universidade Federal da Bahia)
Esta comunicação é parte das discussões de minha pesquisa de doutorado, ainda em curso, pelo Programa de Pós Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT), da Universidade Federal da Bahia, com orientação da Professora Dra. Júlia Morena Costa, sobre o romance Torto arado (2019), de Itamar Vieira Junior, na qual investigo como as personagens se articulam dentro de uma estrutura capitalista no cenário rural de exclusão e negligência do Estado brasileiro, propondo um modelo de resistência. A literatura afro-brasileira, na qual se inscreve a escrita de Itamar Vieira Junior, se transfigura por meio da luta contra o estereótipo e o racismo através de uma linguagem combativa e engajada, empenhada em corrigir e reverter o que por séculos forjou-se como discurso nacional. A obra nos instiga a refletir sobre questões históricas do país e práticas que se repetem ao longo do tempo, como a escravidão, a opressão dos donos das terras sobre os trabalhadores rurais, a negação a direitos básicos e a violência contra as mulheres. As personagens narradoras do romance ecoam vozes silenciadas, fazendo emergir a memória coletiva, legado e resistência da comunidade de Água Negra, mas também elo de reconhecimento e ressignificação da história e da identidade do povo negro na diáspora. Nesta perspectiva, proponho-me a analisar a obra citada em diálogo com as proposições de Florentina Souza (2014), Grada Kilomba (2019), Henrique Freitas (2018), Jacques Le Goff (2013), Lélia Gonzales (1984) e Michael Pollak (1017), dentre outros.
Palavras-chave: Literatura; silenciamento; memória coletiva; resistência
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