Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
LOUCURA, A ESCRITA DE SI NO ESPAÇO DO FORA: UMA ANÁLISE DE VIAGEM A ANDARA, O LIVRO INVISÍVEL DE VICENTE CECIM
MARIA DOMINGAS FERREIRA DE SALES (UFPA), Thaís Ferreira de Sales (UFPA)
A questão da Amazônia como reduto de exploração estrangeira tem sido motivo plausível para o empreendimento de pesquisas na área das Humanidades. Tal preocupação assume dimensões plurais, abrindo margem para discussões que ultrapassam o nicho da ecologia ambiental e da geografia política, transformando-se em tema de ordem planetária. Mais especificamente na área dos estudos literários, evidencia-se a pertinência dessa preocupação ocidental no espaço do dizer poético, transposta em tipos, modos e gêneros discursivos diversos. Baseada nessa ideia, a presente tese se destina a apresentar uma leitura da obra Viagem a Andara, o livro invisível, do escritor paraense Vicente Franz Cecim, filho da Amazônia contemporânea, enfatizando a presença da loucura como acontecimento de resistência ao explorador/dominador, tanto no contexto interno das fábulas, quanto no efeito de estranhamento suscitado pelas rupturas formais presentes na obra. Esse duplo traçado desviante permitirá investigar como se constroem as relações de poder entre o sujeito louco e o dominador e/ou como são produzidas as verdades do homem-texto. O corpus selecionado para esse enfoque é constituído dos sete livros que compõem a edição publicada pela Editora Iluminuras (1988): A asa e a serpente, Os animais da terra, Os jardins e a noite, Terra da sombra e do não, Diante de ti só verás o Atlântico, O sereno e As armas submersas. A partir da leitura comparativa entre as obras do conjunto, será possível perceber tanto a presença transversal da loucura enquanto tema explícito das narrativas e elemento de resistência, como o caráter transgressor do processo literário, elaborado a partir de construções não convencionais. Esses dois eixos formarão a base para a construção de um terceiro eixo, cujos tópicos se coadunam para a defesa de que a obra literária é essencialmente o espaço do fora ou a loucura da linguagem.
Palavras-chave: Amazônia; Literatura; Loucura; Práticas de si; Vicente Cecim
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