Claudio Cardinali Macedo Silva (Universidade de Colônia)
Roberto Schwarz e Theodor W. Adorno, cada um a seu modo e em seu contexto, marcaram profundamente o pensamento crítico contemporâneo no campo cultural. Por um lado, seus objetos de análise, em especial no âmbito literário, não convergem diretamente: o Schwarz maduro trata principalmente de questões e obras brasileiras, como os romances de Machado de Assis, Chico Buarque ou Paulo Lins, ao passo que Adorno escreveu sobre escritores europeus dos séculos XIX e primeira metade do XX, como Balzac, Proust, Kafka ou Beckett. Por outro lado, no plano teórico, suas interpretações ensaísticas têm muito em comum quando leva em conta seu modo de aproximação crítico, que poderia ser caracterizado como uma perspectiva negativa – não no sentido moral, mas sim em termos hegelianos. Além da ideia de ‘dissonância’, outros termos mais ou menos sinônimos, como ‘desencontro’, ‘inconsistência’, ‘deslocamento’, aparecem em diversos ensaios de ambos os autores, que colocam no primeiro plano da análise as contradições contidas e trabalhadas nas obras literárias. A presente comunicação pretende explorar mais a fundo alguns aspectos dessa proximidade teórica entre Schwarz e Adorno, dando especial atenção à noção de forma literária, que em ambos configura como o local de cristalização – nada imediata, vale dizer – de contradições históricas determinantes da sociedade.
Palavras-chave: teoria crítica; estética; marxismo; Roberto Schwarz; Theodor W. Adorno