Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
George Orwell: visões do capitalismo em 1984
Leonardo Lucena Trevas (Unicamp)
Melhor conhecido como o autor de "1984" e "Revolução dos Bichos", George Orwell é também um dos mais importantes ensaístas políticos da primeira metade do século XX. Em seu último romance, publicado em 1949, Orwell imaginou o mundo ficcional de "1984" como uma alegoria daquele mundo do pós-guerra em que delineavam-se três grandes blocos supranacionais, disputando o espaço geopolítico sob a sombra da bomba nuclear. É notável que tenha ocorrido em um de seus artigos jornalísticos de opinião ("You and the Atom Bomb", Revista Tribune, outubro de 1945) a primeira aparição, em mídia impressa de língua inglesa, até onde se saiba, do termo "cold war". Ao inventar a "guerra fria", Orwell não estava se referindo apenas à relação entre URSS e EUA, mas também ao arcabouço alegórico que desenvolvia para o que viria a se tornar "1984", referindo-se ao estado de guerra perene, mas nunca totalmente deflagrado, que caracterizava as relações entre Eurásia, Lestásia e Oceânia -- as potências supranacionais totalitárias que vigiam dentro da narrativa de "1984". Muito já se escreveu sobre a relação de Orwell e o totalitarismo, sendo conhecida a sua crítica ao regime de Stalin na União Soviética e completa ojeriza ao fascismo de Hitler, Franco e Mussolini. Mas pouco é falado da crítica orwelliana ao capitalismo, mais especificamente em como esse modo de produção se articula com a indústria da guerra. Proponho, em minha comunicação, baseada nas investigações da tese de doutorado em andamento "1984: a distopia perfeita" tratar da presença alegórica do capitalismo no mundo distópico de "1984". Minha hipótese é a de que Orwell, nos anos 1940, já interpretava a dependência dos estados capitalistas em relação às suas indústrias de armamento, notadamente, a chamada Doutrina Eisenhower e o Complexo Industrial-Militar que já ditava a política externa dos EUA.
Palavras-chave: orwell; distopia; capitalismo
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