Em busca de reconstruir a história de sobrevivência de sua família, Art Spiegelman entrevistou seu pai e vasculhou volumoso material guardado na casa paterna. Não podendo recuperar os diários que sua mãe escreveu por décadas, ele encontra um acervo fotográfico que compõe sua conhecida Graphic novel Maus, em reprodução fac-símile e redesenhadas no estilo das demais personagens. O escritor Jorge Mautner, também conhecido por sua obra musical, escreveu suas memórias de infância no livro O filho do Holocausto, no qual a Shoah permanece como um espectro onipresente: entre os capítulos, fotos do acervo pessoal do autor, em diversos momentos com seus pais, usando fantasia, suas irmãs, de amigos, um conjunto de imagens que ampliam o alcance do texto, oferecendo uma contribuição para o serviço da memória e da narrativa. A imagem fotográfica isola, preserva e apresenta um momento, um instante destacado do contínuo da vida, segundo John Berger, e que, segundo Boris Kossoy, faz com que a fotografia seja um inventário de informações acerca de um determinado momento passado. Em associação ao literário, com ênfase no memorialístico, as fotografias, que são vestígios de algo que já aconteceu, contribuem aportando outros elementos à narrativa, além da mera ilustração. Essa comunicação pretende demonstrar como as fotografias criam suas próprias narrativas adicionalmente ao trabalho da memória e da literatura autobiográfica em Art Spiegelman e Jorge Mautner.
Palavras-chave: fotografia, memória, Shoah, Art Spiegelman; Jorge Mautner.