Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Figurações dos traumas da ditadura em romances da literatura brasileira contemporânea escritos por mulheres
Luciana Paiva Coronel (FURG)
Propõe-se mapear e analisar manifestações de resistência ao autoritarismo contidas na enunciação ficcional de autoras presentes no “novo ciclo de memória cultural” (Atencio, 2014) referente ao período da ditadura civil-militar (1964/1985) no contexto da literatura brasileira contemporânea mais recente. Trata-se de textos marcados pela especificidade de pontos de vista e vivências das mulheres em relação à violência estatal então vigente. Uma vez que a história do período vinha sendo narrada praticamente sob a exclusiva ótica masculina por autores como Renato Tapajós (1977), Fernando Gabeira (1979), Alfredo Sirkis (1980), etc, a nova série literária em que a vocalização feminina é destacada (Cruz, 2021) merece atenção dos estudos literários feministas. Ela não apenas apresenta a memória das experiências traumáticas da ditadura a partir do gênero, como ainda aponta precursoras dessa dicção ficcional que o cânone havia silenciado, como Heloneida Studart e Ana Maria Machado (Figueiredo, 2017). Vecchi e Di Eugenio (2020) apontam a relevância do gênero (sujeito) como elemento disjuntivo para realizar a leitura alternativa da história, bem como o papel da ficção histórica na condução deste trabalho da memória. Sendo histórico, o cânone é palco de disputas de poder ligadas à esfera simbólica da dominação social, por isso importa analisar em bloco Volto semana que vem (2015), de Maria Pilla, e O corpo interminável (2019), de Claudia Laje, obras representativas dessa enunciação, buscando identificar estratégias do feminino na busca por recursos formais através dos quais figurar os traumas que lhe são próprios. Entende-se que assim fazendo as autoras contribuam para a devidamente compor a memória de um período no qual a presença das mulheres na resistência política é historicamente reconhecida, ainda que não o seja através de seu próprio discurso: “o surgimento do feminismo brasileiro está inseparavelmente ligado à experiência da ditadura (Pinto, 2003).
Palavras-chave: Memória feminina; Ditadura civil-militar; Literatura; Claudia Lage; Maria Pilla.
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