Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Contar e recolher os corpos: Uma leitura de 3 contos policiais de Rubem Fonseca
Rubens Fernandes Corgozinho Júnior (Universidade Federal de Minas Gerais)
O presente trabalho parte de uma leitura de 3 contos de Rubem Fonseca produzidos ao longo das décadas de 60 e 70 (“O caso de F.A.”, “Dia dos namorados” e “Mandrake”), todos protagonizados pelo personagem-detetive Mandrake. Nos contos, há a violência sistemática direcionada a grupos marginalizados da sociedade, tais como indivíduos transexuais, prostitutas e a classe dos mais pobres. Há a ideia de que haveria nesses contos policiais a tentativa de demonstrar a generalização da violência, em oposição à noção de aparente individualidade e pontualidade das violências cometidas que o governo então vigente buscava difundir. Mandrake é o personagem que, na produção do autor, surge como um sujeito a serviço dos poderosos, em busca de realizar suas demandas a qualquer custo, sem limitar-se a preceitos éticos ou morais. Na defesa da reputação de seus clientes, o detetive agride corpos alheios, os quais são, frequentemente, também mobilizados para satisfação de desejos e caprichos. Fonseca aponta para a transgressão violenta enquanto regra na atuação dos indivíduos da classe dominante, sempre em contato com a marginalidade submetendo-a a sua vontade. Para a reflexão, é pertinente o pensamento sobre a narrativa policial enquanto gênero, de autores como Ernest Mandel, Daniel Link e Sandra Lúcia Reimão. Esses autores trazem a ideia de que a narrativa policial proporcionaria um modo de entendimento das relações entre o crime, a justiça e o poder, de modo que um caso policial particular traria ideias sobre o contexto social geral. Além disso, observações sobre o panorama político e literário da época de Antonio Candido, Flora Sussekind e Roberto Schwarz são importantes
Palavras-chave: Rubem Fonseca; Literatura Brasileira; Violência; Moralismo; Literatura Policial.
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