Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Compartilhar o mundo como quem ama: a escrita como forma de ressignificar o compromisso com a democracia no curso de Letras.
Tatiana Franca Rodrigues Zanirato (UFJ)
O últimos anos de chumbo dos quais estamos vindo me impeliram a (re)pensar minha prática docente. Sou professora em uma instituição pública, para o curso de magistério superior em Letras Português, e, para poder escrever este ensaio, devo rememorar a experiência do ensino remoto emergencial, em face ao isolamento social exigido pela pandemia da covid-19, concomitantemente ao projeto de destruição da educação pública brasileira, diligentemente orquestrada pelo governo Bolsonaro. É-me imperativo reviver a memória de tantas pessoas com quem convivia na universidade e que obrigatoriamente passaram a frequentar a tela do meu computador transformadas em um ícone indiferente, e a quem aquele Ministério da Educação me obrigou a chamar de alunos. Àquelas pessoas, às suas imensas dificuldades em estar do outro lado desse processo desumanizador conhecido pela sigla de ERE e, principalmente, àquelas que não puderam sobreviver, seja à covid-19 ou à aspereza do cotidiano universitário, dedico o meu trabalho. A prática do trabalho pedagógico democrático, conceito de Marilena Chauí (2018), aliado à compreensão de compromisso profissional freiriana (2013), levaram-me a propor, nos últimos 4 anos, um plano de ensino em que os estudantes de literatura brasileira (conteúdo que leciono há 12 anos) pudessem de fato protagonizar seu processo de aprendizado, apesar de todas as limitações que nos foram impostas. Levada a revisitar meu trabalho em sala de aula, reparei que agi, desde sempre, como autoridade competente. Tal constatação, levando em consideração o contexto político de austeridade vivido no Brasil, exigiram de mim que aprendesse sobre ensinar. Seguindo os passos de Alexandre Faria, passei a propor aos estudantes oficinas de escrita, para que pudessem que escrevessem como “quem ama literatura” (SANTOS, 2008) e, sobretudo, para que seus enunciados tivessem "efeito no real" e reestruturassem o comum partilhado(RANCIÈRE, 2009).
Palavras-chave: compromisso; democracia; escrita
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