Julia Ferrari Duarte do Páteo (Universidade de São Paulo)
A comunicação propõe uma abordagem de "Anna Kariênina", de Liev Tolstói, que relacione a obra ao seu contexto histórico de produção, tendo em perspectiva a Questão Feminina, discutida sobretudo na década de 1860, na Rússia. Organizada em torno de três pilares – autonomia matrimonial, reconhecimento profissional e educação -, a Questão Feminina foi um importante movimento rumo à emancipação das mulheres, que, assim como no resto da Europa, ocupavam papel subalterno na sociedade do século XIX. Sua abordagem se deu sobretudo no meio da intelligentsia russa, e marcou a literatura feminina com um tom ideológico e didático, e personagens típicas dentro de um ideal de “mulher instruída”, isto é, mulher racional, cujos ideais e características seriam os mesmos dos homens. Tolstói, ainda que não se vincule a essa tendência, apresenta, em sua obra, elementos importantes para discutir essa questão. Propõe-se, então, a exposição de alguns dos procedimentos estéticos empregados pelo escritor para criar a protagonista Anna, de maneira a evidenciar como, por meio desta personagem, Tolstói positiva a subjetividade e o desejo femininos, construindo uma representação que permite com que se estabeleçam diálogos com a Questão Feminina. Em suma, discute-se como a estética apresentada em um texto literário pode se relacionar a uma causa como a expressa pela Questão Feminina.
Palavras-chave: Questão Feminina; Liev Tolstói; Literatura e Gênero; Anna Kariênina