Machado de Assis, no conjunto de sua obra, apresenta o Rio de Janeiro do Segundo Reinado através de seus personagens e dos lugares por onde transitam. O caso não é diferente em Dom Casmurro, obra da maturidade de Machado, publicada em 1899, na qual percorremos ao lado de Bento Santiago os caminhos feitos por este ao longo de sua vida – os locais por onde passou e as reflexões construídas da juventude à maturidade. É com a perspectiva de “atar as duas pontas da vida” que Bento reconstrói a casa de sua infância para viver a velhice, e não por acaso essa casa é descrita no início da obra – durante o segundo capítulo – e algumas de suas características são retomadas no decorrer da narração até quase o seu fim, onde somos levados a refletir o porquê da existência de alguns detalhes arquitetônicos serem tantas vezes mencionados. Compreender o significado dessas escolhas espaciais é tarefa árdua que não se esgota em um primeiro momento. No entanto, através desta tarefa poderemos dar início à compreensão da grandeza de Machado de Assis e da complexidade de sua obra – que, com o passar do tempo, continua crescendo em possibilidades interpretativas e desvelando a generidade humana. Este trabalho possui como objetivo demonstrar algumas das relações entre a literatura e a arquitetura, enquanto expressões artísticas que figuram a realidade e apresentam a imagem do Rio de Janeiro e sua sociedade durante o século XIX.
Palavras-chave: literatura; arquitetura; casa; Rio de Janeiro; Machado de Assis