O presente artigo desenha uma arguição acerca da (sobre)vida mapeada pelo racismo do menino “Di Lixão”, personagem do conto que leva seu nome, presente na coletânea “Olhos D'água”, 2014, da escritora negra brasileira Conceição Evaristo. Para compor a análise, considerou-se a palavra, em sua configuração gramatical em justaposição – marca estilística da autora – como um exercício literário de revelação e norte das denúncias registradas por Evaristo acerca das mazelas que atravessam esse corpo negro infante por um brutal exercício constante de desumanização e coisificação. Para isso, observou-se com cuidado a potência geradora das palavras-travessias: “quarto-marquise”, “ovo-vida” e “coragem-desespero”, adicionadas ao texto de forma muito estratégica, como se a interpretação do conto estivesse dentro de seus significados. Para fundamentar as leituras apontadas, traz-se como base analítica o entrelaçamento do conceito de sub-humanidade, do Ailton Krenak (2019), os estudos acerca da masculinidade negra desenvolvidos pela professora e filósofa norte-americana bell hooks (2019) e, também, a crítica de Achille Mbembe (2011) alcunhada de Necropolítica, acerca do exercício do biopoder na questão racial. Por fim, espera-se com o presente texto ampliar e contribuir nos estudos críticos sobre a obra de Conceição Evaristo expandindo, assim, a importância da sua obra para a literatura brasileira e como um marco no exercício do antirracismo na academia.
Palavras-chave: Conceição Evaristo; racismo; literatura brasileira