Resumo:
Que imagens do Brasil e de suas histórias se desenham nos escritos dispersos em prosa e verso de nossos poetas, críticos e historiadores? Essa é a questão proposta por um grupo de professores e pesquisadores, interessados nas relações da literatura com a história e outros campos com o literário afinado. O problema apresentado pressupõe a reavaliação de questões teóricas pertinentes ao terreno da historiografia literária, bem como ao domínio da crítica no país, marcadas, em linhas gerais, pelo sentimento de descompasso ou desacerto das produções literárias brasileiras em relação às demais, supostamente no tempo e no espaço adequados. O ponto de vista aqui adotado considera a hipótese de que a sensação de “desterrados em nossa própria terra” não se apresenta apenas como uma experiência das culturas modernas, à margem dos grandes centros de decisão política e econômica, mas constitui também, e essencialmente, toda construção identitária. Desse modo orientados, buscamos nos escritos literários brasileiros o gesto afirmativo de incorporação da estranheza de nossas histórias, imaginadas em cadência e compasso imprevistos, nos espaços, sempre ajustados, da memória.