X CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC 2006
 

INTRODUÇÃO AO X CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIC

José Luís Jobim (UERJ/UFF)
Lívia Reis (UFF)
Antonio Carlos Secchin (UFRJ)
João Cezar de Castro Rocha (UERJ)
Roberto Acízelo Quelha de Souza (UERJ/UFF)
Claudia Maria Pereira de Almeida (UERJ)

No período entre 31 de julho e 04 de agosto de 2006, realizou-se o X Congresso da ABRALIC, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O evento envolveu professores e pesquisadores do Brasil inteiro e do estrangeiro, batendo um recorde, com mais de 2.000 inscritos.
A ABRALIC foi fundada em 1986, na UFRGS, completando assim 20 anos em 2006. Desde então, promoveu 9 congressos e 10 encontros regionais, nas seguintes Universidades: UFRGS, UFMG, UFF, USP, UFRJ, UFSC, UFBa, UFMG. Seus últimos dois Congressos (UFMG e UFRGS) reuniram, cada um, cerca de 1.700 professores e pesquisadores. Hoje, a ABRALIC é a associação científica mais antiga e com maior destaque na nossa área, e a maior associação de estudos literários da América Latina. Sua diretoria é eleita bianualmente, compondo-se de 6 pesquisadores/docentes (na atual, seus membros são da UERJ, UFF e UFRJ), responsáveis por todas as atividades no biênio. Há também um Conselho, integrado por ex-presidentes e por pesquisadores de destaque na área, que dialoga com a diretoria, nos assuntos de interesse da ABRALIC.
O X Congresso Internacional da ABRALIC discutiu o local, o regional, o nacional, o inter-nacional, o planetário: lugares dos discursos literários e culturais, e teve como subtemas: Lugares dos discursos literários e culturais. Construção de identidades: local, regional, nacional, internacional, étnica, sexual, lingüística, religiosa, de classe, de grupo. Centro e periferia. Metrópole e colônia. O colonial e o pós-colonial. Herança ibérica e Novo Mundo. Relações culturais e blocos transnacionais (MERCOSUL e União Européia). Exceção cultural e globalização. Homogeneidade e heterogeneidade. Políticas culturais nacionais e internacionais. Interseções, compartilhamentos, articulações, singularidades, diferenças, assimetrias e hierarquias nos fluxos literários e culturais. Quadros de referência da circulação e aquisição do saber cultural e literário. As teorias e seus lugares de enunciação. Modos de ver, modos de julgar, descrições e prescrições.
Como “lugar” acabou sendo a palavra-chave que presidiu tanto o Encontro Regional da ABRALIC-2005 quanto este X Congresso Internacional da ABRALIC, convém aqui reiterar a nossa concepção deste termo:

“Um lugar é, antes de mais nada, uma construção elaborada por várias gerações de homens e mulheres que nele habitaram ou por ele passaram, e que ajudaram a formular o sentido que tem. Ele é constituído por redes públicas de sentido, formadoras de subjetividade. Nele se constituem interpretações públicas simbolicamente mediadas, inclusive sobre o sentido deste lugar e sobre o que significa estar inserido nele. Num lugar, circulam elementos que de algum modo impõem sentido às experiências singulares dos sujeitos, elementos em relação aos quais estes sujeitos interpretam suas experiências (e os textos que lêem), bem como direcionam suas ações. Em outras palavras, o lugar é sempre fonte de pré-concepções que de alguma maneira contribuem para a elaboração de nosso dizer, pois nele se situa o sistema de referências deste dizer – incluindo determinado universo de temas, interesses, termos etc. –, sistema que sempre já estabelece um limite dentro do qual nosso campo de enunciação se circunscreve. Lugares têm sempre história, e mesmo o apagamento de certos elementos constitutivos da história do lugar também é decorrente de razões históricas.” (Jobim, 2006, p. 95-96)

Mais do que nunca, hoje, faz-se necessário estudar as correlações entre os lugares e os discursos literários e culturais, gerando construções de toda ordem, derivadas não só de relações políticas assimétricas, mas também de todo um quadro complexo de interseções, compartilhamentos, articulações, singularidades, diferenças, assimetrias e hierarquias nos fluxos literários e culturais.
Com o evento de 2006, pretendemos, entre outras coisas:

1) Dar prosseguimento ao trabalho acadêmico que até o presente momento vem caracterizando o perfil da Associação Brasileira de Literatura Comparada. Isto é, situar o estudo da Literatura em relação a problemas teóricos fundamentais para a discussão do quadro de referências em que se situam estes estudos, bem como em relação a pesquisas desenvolvidas em outras áreas das Ciências Humanas.
2) Buscar uma maior integração acadêmica entre os associados, objetivando gerar novos projetos e parcerias inter-universitárias, a partir da realização dos simpósios temáticos e da sinergia gerada pelo congresso.
3) Oferecer uma contribuição reflexiva em relação aos quadros de referência que delimitam fluxos literários e culturais.
4) Incentivar a emergência de novas parcerias e projetos entre pesquisadores da área.
5) Enfocar as mais recentes teorias e projetos sobre o tema do Encontro, destacando a atividade literária e seu papel de verdadeira intersecção entre as diversas áreas de conhecimento, perspectiva que mantém o caráter multidisciplinar dos eventos da ABRALIC.

 

Tivemos a presença dos seguintes pesquisadores, como conferencistas convidados do X Congresso da ABRALIC, todos com reconhecida qualificação e produção acadêmica: Ana Pizarro (Universidade de Santiago de Chile), Benjamin Abdalla Jr. (USP), Edson Rosa da Silva (UFRJ), Eduardo Portella (ABL), Hans Ulrich Gumbrecht (Stanford University), Lucia Helena (UFF), Luiz Costa Lima (UERJ), Eduardo Coutinho (UFRJ), Pablo Rocca (Universidad de la República – Uruguai), Jean-Marc Moura (Université de Lille), Luisa Campuzano (Universidade de Havana), Patrick Imbert (Universidade de Ottawa), Regina Zilberman (PUC-RS), Reinaldo Martiniano Marques (UFMG), Silvano Peloso (Universidade de Roma – La Sapienza), Zilá Bernd (UFRGS).
Ressalte-se que a publicação em livro das conferências, a exemplo do que ocorreu com as palestras do Encontro Regional da ABRALIC-2006, permitirá a um público mais amplo o acesso ao resultado do evento.
As atividades, em todos os dias do congresso, foram distribuídas em mesas-redondas, na parte da manhã e ao final da tarde, da qual participaram os pesquisadores convidados, e em Simpósios, organizados por Professores e pesquisadores, selecionados pela Comissão Organizadora. O Encontro teve o total de 10 (dez) mesas-redondas, cada uma com 2 (dois) conferencistas, e 71 (setenta e um) Simpósios, funcionando em um turno (manhã ou tarde), durante os dias do evento.  Eis a programação geral:

31/07/2006

NOITE (19 h)
Abertura
Coquetel
Lançamento de livros

1/08/2006

MANHÃ (8-11 h)
SIMPÓSIOS

MANHÃ (11 h)
Mesa-redonda plenária: O lugar dos estudos literários
Eduardo Portella (ABL/UFRJ)
Hans Ulrich Gumbrecht (Stanford University)
Moderador: João Cezar de Castro Rocha (UERJ)

TARDE (14-17 h)
SIMPÓSIOS

TARDE (17 h)
Mesa-redonda plenária 1: O nacional, o inter-nacional, a globalização
Benjamin Abdalla Jr. (USP)
Lucia Helena (UFF)
Moderador: Laura Padilha (UFF)

Mesa-redonda plenária 2: Construção de identidades
Jean-Marc Moura (Université de Lille)
Reinaldo Marques (UFMG)
Moderador: Gilda Neves Bittencourt (UFRGS)
 
2/08/2006

MANHÃ (8-11 h)
SIMPÓSIOS

Mesa-redonda plenária 1: Políticas literárias e culturais
Zilá Bernd (UFRGS)
Patrick Imbert (Universidade de Ottawa)
Moderadora: Cláudia Maria Pereira de Almeida (UERJ)

Mesa-redonda plenária 2: Construção de nações e culturas do novo mundo
Ana Pizarro (Universidade de Santiago do Chile)
Luisa Campuzano (Universidade de Havana)
Moderador: Lívia Reis (UFF)

TARDE (14-17 h)
SIMPÓSIOS

TARDE (17 h)
Mesa-redonda plenária dos poetas
Ivan Junqueira
Ferreira Gullar
Antonio Carlos Secchin
Moderador: José Luís Jobim (UERJ/UFF)

3/08/2006

MANHÃ (8-11 h)
SIMPÓSIOS

MANHÃ (11 h)
Mesa-redonda plenária 1: personalidades literárias internacionais
Silvano Peloso (Universidade de Roma – La Sapienza)
Edson Rosa da Silva (UFRJ)
Moderador: Ana Lúcia Oliveira (UERJ)

Mesa-redonda plenária 2: transferências e trocas culturais na América do Sul
Eduardo Coutinho (UFRJ)
Pablo Rocca (Universidad de La Republica)
Moderador: Bella Jozef (UFRJ)

TARDE (14-17 h)
SIMPÓSIOS

TARDE (17 h)
Mesa-redonda plenária dos prosadores
Moacir Scliar
Antonio Torres
Moderador: Italo Moriconi (UERJ)

4/08/2006

MANHÃ (8-11 h)
SIMPÓSIOS

MANHÃ (11 h)
Mesa-redonda plenária: As teorias e seus lugares de enunciação
Luiz Costa Lima (UERJ)
Regina Zilberman (PUC-RS)
Moderador: Marisa Lajolo (UNICAMP)

TARDE (14-17 h)
SIMPÓSIOS

TARDE (17 h)
Assembléia geral

 

Três universidades participam diretamente da organização desse Encontro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sede do evento, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Diretoria da ABRALIC foi responsável pela organização, junto com uma Comissão Organizadora mais ampla, que nomeamos abaixo:

José Luís Jobim (UERJ/UFF)
Lívia Reis (UFF)
Antonio Carlos Secchin (UFRJ)
João Cezar de Castro Rocha (UERJ)
Roberto Acízelo Quelha de Souza (UERJ/UFF)
Claudia Maria Pereira de Almeida (UERJ)
Carlinda Fragale Pate Nuñez (UERJ)
Ana Lúcia de Souza Henriques (UERJ)
Roberto Mibielli (UFRR)
Luiz Edmundo Bouças Coutinho (UFRJ)
Fernando Casaes (UERJ)

Além dos acima nomeados, contamos com 54 monitores, indispensáveis para tornar possível a realização do X Congresso Internacional da ABRALIC. Agradecemos a eles e a todos aqueles cujo trabalho foi fundamental para o sucesso do empreendimento.
Para terminar, gostaríamos de chamar a atenção sobre o novo sistema de envio de todos os textos completos das comunicações a serem apresentadas em cada simpósio, para publicarmos, de modo que, no primeiro dia do Congresso, cada participante pudesse receber, junto com o material do congresso, os anais, com a sua comunicação já publicada.
Este novo procedimento permitiu que os coordenadores de simpósios, a seu critério, pudessem fazer apenas a discussão dos trabalhos, já que estes estavam disponíveis bem antes do evento. Este é um novo procedimento, já que o próprio formato dos congressos de nossa área não beneficia um possível aprofundamento crítico dos temas e objetos pesquisados, pois a estrutura básica de nossos congressos consiste em apresentações de cerca de 20 minutos, sem discussão posterior – ou, pelo menos, sem uma discussão que mereça, até pelo tempo a ela dedicado, ser considerada como relevante. Assim, planejar eventos nos quais, ao invés de se levarem papers que são lidos sem discussão, se possa introduzir a prática de disponibilizar os textos anteriormente para, durante o evento, dedicar-se apenas a discutir o que antes foi disponibilizado, pode levar a um maior adensamento geral das argumentações desenvolvidas sobre os diversos temas, pois o debate, inclusive com a verbalização de opiniões contrárias, obriga ao acuramento de posições. Ressalte-se que tanto a decisão sobre a disponibilização e circulação (ou não) dos textos antes do evento (por exemplo, através de anexos em e-mails para os participantes dos simpósios) quanto a sua forma de apresentação ou discussão no próprio evento foram decisões do(s) próprio(s) coordenador(es) de cada simpósio.
A seguir, você pode ter acesso a todas as comunicações que nos foram entregues, para constar destes anais. Bom proveito.


 
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