![]() |
![]() |
[ VOLTAR ] |
Culturas dissolvem-se no ar - o diálogo que resgata em O desejo de Kianda
Elizabeth R. Z. Brose (PUCRS)
O cântico suave, dolorido, nascido, na lagoa verde ao lado do prédio em construção, subiu um tom na escala. O prédio já tinha inquilinos, vindos não se sabia de onde. (...)Uma criança caiu do quinto andar e se afogou. (...) Mas ele estava lá, desde há muito tempo, quem sabe se mesmo desde o princípio dos tempos. Reconheço agora, com a inútil sabedoria da velhice. Inútil, porque é como o cântico, só se ouve tarde demais. (Pepetela, O desejo de Kianda, p. 35-6)
A língua portuguesa cruza os mares em direção aos continentes americano e africano, ampliando seu espaço literário. O idioma dos relatos de viagem e dos náufragos encontra e é encontrada pelo habitantes do Novo Mundo, produzindo inter-relações em um caminho sem volta. Esse percurso é registrado na Carta 1 de Pero Vaz Caminha, acerca do achamento do Brasil, e nas cartas do rei do Congo à Corte Portuguesa. Brasil, Portugal e alguns países africanos têm em comum a língua, a história dos primeiros séculos desse mundo desconhecido e a tradição literária trazida nas naus. Em compensação, as narrativas da oralidade das ex-colônias diferem e interferem em suas produções literárias.
Os fundamentos dessa interferência nos relatos e nas perspectivas, em Angola, começam a ser construídos quando os europeus, ao chegarem em África, encontram um universo de narrativas orais. Os primeiros contatos dos portugueses com o interior desconhecido dessa plataforma geográfica ocorrem pela direção de Diogo Cão, em 1482. Em uma segunda etapa, o navegador leva da Guiné missionários e governantas africanas para facilitar a comunicação. Por gestos e por palavras, descobrem a localização do soba. Por isso, em 1491, as caravelas portuguesas seguem pelo rio Congo.
O movimento de exploradores e colonizadores constitui-se em redigir cartas e relatos de suas experiências novas para o leitor do Velho Mundo. Nesse sentido, eles são mediadores de um contexto estranho para o continente familiar. Acerca do Congo, há documentos, porque essa região manteve estreitas relações político-administrativas com os reis portugueses. O mesmo não ocorre com o Ndongo, nome anterior do reino de Angola 2, pois não abrigou no princípio da colonização centros de atuação religiosa, administrativa, econômica ou geográfica.
O povo Mbundu é citado pela primeira vez em 1512 quando o rei do Congo, Afonso I, é chamado de senhor dos Ambundu. O reino de Angola, por sua vez, é citado, em 1520, apenas para informar que o rei expressa o desejo de se tornar cristão. Esses são textos comuns que alimentam a discussão sobre a colonização: cartas que omitem ou apenas atestam a existência de um povo. Um exemplo dessas narrativas européias no conteúdo e na forma é a carta do rei D. Manuel para D. Afonso no livro de Visconde de Paiva Manso, "História do Congo - obra posthuma do Visconde de Paiva Manso", publicado em Lisboa pela Academia Real das Sciencias de Lisboa, em 1877. Nessa coletânea de cartas e documentos de 1492 a 1724, encontra-se a seguinte mensagem, mostrando as relações do líder africano com a coroa portuguesa:
Carta d'elrei D. Manuel para D. Affonso rei do Congo - 1512
Muito poderoso e excellente rei de Manicongo. Nós dom Emanuelm pela graça de Deos Rei de Portugal e Guiné vos enviamos muito saudar, como aquele que muito amamos, e prezamos, e pêra quem queríamos que deos desse tanta vida, e saúde como vos desejaes. (...) prouve o Senhor por sua misericórdia vos alumiar e trazer ao conhecimento da Santa Fé, assi vos praza ordenares todas vossas cousas, e nella o servides, como fazem os Príncipes Christãos, e como nos o fazemos: do que mui compridamente vos informará o dito Simão da sylva, porque de assi o fazerdes, receberemos nos muito prazer e contentamento"(p. 5 -6).
[Nota: "Por ter falecido Simão da Silva, já no Congo, foi a carta entregue por Álvaro Lopes, feitor, que ia no navio "O Gaio", enviado para lhe suceder."(6)]
Nessa carta, o rei do Congo é reconhecido como um príncipe cristão. As idéias de príncipe e de cristão são transposições européias para um universo que estava sendo decodificado pela primeira vez por olhares ocidentais 3.
Há, no discurso pedagógico acerca do rei do Congo, o silêncio, as ausências informativas acerca do povo, da língua, dos ritos e das crenças encontradas. Sobre esses silêncios ou sussurros intraduzíveis, é o tema da narrativa O desejo de Kianda do escritor angolano, Pepetela:
Era um cântico parecido que a Cassandra ouvia na borda da Lagoa. Começava a captar mais que palavras isoladas. (...) Depois palavras. E uma frase que só entendeu quando a ouviu também da boca do escritor de Kinaxixi, em passeio pelos destroços do largo: 'O desejo de Kianda'. Ainda era pouco para perceber o sentido da mensagem. (...)Ficava triste, a marcar o rítimo, mas ao mesmo tempo se sentia atraída por aquela água escura. Como se alguma coisa a chamasse lá do fundo. E o coração apertava, segredava tristezas" (Pepetela, p. 82-3).
A obra divide-se graficamente em duas narrativas: uma delas em itálico, que é o contínuo de uma única fábula sobre o mito de Kianda. O relato aponta para uma explicação de origem africana ao acontecimento. Uma menina e um homem mais velho completam essa história intercalada. Às questões da pequena, responde o homem mais sábio. Na verdade, a grande questão reside na alegoria da queda dos prédios e a resposta está no mito. Exemplo: " O cântico suave, dolorido, nascido, na lagoa verde ao lado do prédio em construção, subiu um tom na escala. O prédio já tinha inquilinos, vindos não se sabia de onde. (...)" (PEPETELA, 35). Segundo H. Chatelain 4, Kianda é um espírito africano. Ele não está associado ao bem ou ao mal, mas deve receber oferendas. Assim, as pessoas o agradam e evitam suas ações malignas.
A outra narrativa é protagonizada por Carmina, uma moça marxista, e João Evangelista, um cristão. Ambos não ouvem Kianda e não entendem porque os prédios caem, apenas observam as pessoas flutuando no ar como folhas ao vento.
As três personagens, Cassandra, Carmina e João Evangelista indicam trocas culturais que se estabeleceram, que se distanciaram e que estão se aproximando. A hibridização cultural pode ser observada nas mais diversas áreas, inclusive a das mundividências. Na literatura, é Bakhtin quem discute a noção de diálogo entre as cosmovisões. Particularmente, O desejo de Kianda apresenta a denúncia da ausência cultural angolana em narrativas oficiais, sugerindo a discussão da dissolução de construções narrativas tradicionais como a marxista, a cristã e a oralidade angolana para dar lugar à emergência de uma textualidade híbrida. As características das três são evocadas por grupos de personagens, sendo que a tríade principal é composta por Carmina, João Evangelista e Cassandra.
Se, para Mikhail Bakhtin, 5 uma personagem só existe a partir da visão que tem de si e do mundo, o seja, da cosmovisão que representa e defende diante de outras perspectivas, O desejo de Kianda é uma obra composta por várias personagens, pois múltiplas cosmovisões são apresentadas através de Carmina, João Evangelista e Cassandra. As três referências com fontes narrativas diferenciadas interagem na formação de um realismo mágico que discute o diálogo discursivo como solução para evitar a destruição de culturas - idéia proposta pela imagem de prédios que se dissolvem no ar.
Cassandra, a menina que traduz, é, na mitologia grega, a filha do rei Príamo de Tróia. Apolo promete à moça o dom da profecia se ela ceder aos seus desejos. Ela aceita o dom, mas não cumpre o pacto, rejeitando o deus. Apolo escolha vingar-se dela e ordena que suas profecias nunca sejam dignas de respeitabilidade. Também, vinga-se o deus, provocando a morte de Agamenon. Ela é entregue como dívida de guerra a Agamenon e, com ele, é morta.
Na obra de Pepetela, Cassandra parece tentar recuperar a voz da profetisa e com a ajuda de Kalumbo, um ancião, consegue decodificar o que Kianda, o espírito da água, diz. Cassandra é uma referência à profetisa de Tróia, que reconhece o filho de Príamo e explica o que o cavalo gigantesco tem inimigos em seu interior. Ninguém acredita em suas palavras, pois Apolo não permitiu que suas profecias fossem dignas de crédito.
As duas personagens com o mesmo nome, Cassandra, são um elo entre dois tempos: o presente e o futuro, na fábula grega, e entre o passado e o presente, na angolana. As duas percebem mensagens desacreditadas pela população, mas que, apesar disso, se realizam , e o mal não é evitado. Ambas vêm ou ouvem mais que os outros e advertem para a importância do universo sagrado e cultural a que têm acesso. Cassandra e Kianda indicam camadas textuais que se sobrepõem. O livre trânsito entre o mito grego e o angolano compõem uma obra literária complexa que expõe a fragilidade do discurso pedagógico e inibidor de manifestações culturais diversas.
Carmina, por outro lado, era ativa e não tinha boa fama frente aos mais velhos, por isso era chamada desde criança de CCC (Carmina Cara de Cu). Foi ela que, a partir dos seus contatos, conseguiu um emprego para João evangelista em uma empresa estatal que oferecia "condições excepcionais aos trabalhadores" (PEPETELA, 9). Ela deu a João Evangelista "um computador como prenda de casamento" (idem), organizou todo o casamento com as despesas pagas ou cobradas simbolicamente pelo partido e empresas.
Carmen também é nome comum de personagens imbuídas de fatalidade e poder maléfico sobre os homens. Um prenúncio da mulher meio anjo, meio demônio, mãe terrível e feiticeira. A personagem de Prosper Mèrimée tinha olhar forte e penetrante, pele acobreada como a de um mouro e surgia da penumbra, das águas de um rio.
A tragédia de Carmen 6, de Peter Brook, lê a sorte em cartas de Tarô para Don José. Ela encanta esse homem com o amor dos maus augúrios. Vive de práticas ilícitas, contrabandos, roubos, encantos, magia e bruxaria. Versão feminina do bode expiatório, ela transforma-se em metade fêmea, metade animal. Assim, com o lado selvagem exacerbado, ela corporifica a antítese da mãe e assume a posição de alteridade da ordem militar e religiosa. Além disso, ela representa a cultura estranha, pois é a estrangeira, a desconhecida. Desse modo misterioso e profético, ela ocupa o espaço de mitema da mulher noturna e do paradoxo da obscura claridade. 7
A palavra "carmina", porém, é o plural de "carmen", em latim, canção. Por isso, o título da ópera, Carmina Burana 8. Esse é o título da antologia, da cantata cênica de poesias medievais, escrita em texto de baixo latim e de baixo alemão. Ao todo, são 200 peças poéticas compiladas no fim do século XIII, escritas por um grupo profano de errantes chamados "goliardos". Carmina Burana apresenta o universo cristão dos séculos XI e XII através de poemas profanos e sacros, restaurando um cosmos onde bem e mal convivem, assim como a certeza e a dúvida, espaço de oscilação da humanidade.
Herança do mundo clássico, a tradição dos carnavais e triunfos é ilustrada por Lorenzoi de Medicis e Rabelais. Em Carmina, por exemplo, encontram-se versos como:
Chume, chum, geselle min
Vem, vem, minha linda moça,
doce boquinha rosada,
doce boquinha rosada.
Vem, vem, minha linda moça.
Vem e acaba a minha ânsia,
Vem e acaba a minha ânsia,
doce boquinha rósea.
Carl Orff concebeu Carmina, que foi apresentada pela primeira vez em 1937, na ópera de Frankfurt, com a idéia de que só o amor e o desejo podem capacitar o homem a viver, lutar e crer.
Assim, como as "Carmens" e a antologia, a Carmina de O desejo de Kianda subverte a identidade da mulher boa, servil e adaptada à ordem. Como as primeiras, ela indica um universo de transgressão, de autoridade e autonomia. Também como as personagens, vive de práticas ilícitas e tem a qualidade de ser "visionária". Como a reunião de poemas carnavalescos, ela reúne as qualidades incompatíveis normalmente, pois ela é responsável e corrupta; tem princípios ideológicos humanitários, mas uma prática nefasta.
Como João, o antecessor de Jesus, a personagem do texto angolano está relacionada com a idéia de inauguração de uma nova época: o que nasce antes de Jesus para anunciá-lo, e o que testemunha a queda do primeiro de muitos outros prédios. João Evangelista é, portanto, uma alusão à personagem bíblica. Em O desejo de Kianda , ele é o noivo que "casou no dia em que caiu o primeiro prédio" (7). Ele "vinha de linhagem religiosa" (7), neto de Rosário Evangelista, e nascido na capital, Luanda,
filho duma malanjina da igreja. Ja aos seis anos foi para a missão no Huambo, onde seu avô pregara e seu pai foi educado. Só voltou a Lunda com vinte anos feitos, perseguindo de cursar engenharia, arranjando um emprego para apoiar os pais. Desistiu rapidamente da Universidade por incompatibilidade do horário das aulas com o serviço. Pelo menos foi a razão dada aos familiares e amigos (8).
Interessa-se por jogos eletrónicos, e, por isso, ficou mais de um mês, sem avisar seu chefe, ausente do trabalho. Mateus Evangelista: pai de João Evangelista. (...)"nasceu na Missão e só dela saiu, já adulto, para tentar a vida em Luanda"(7). "O velho Mateus não apreciava particularmente quem andava metido em políticas, embora compreendesse que a época era a única actividade possível para queimar as ambições duma jovem decidida em artes de mando. Mas o pior para o futuro sogro era o facto de a moça alinhar na nova religião que proliferava, o ateísmo. Seu filho educado na melhor Missão do país, quiçá de África, casar com uma mulher ateia, não clemente a Deus e a Satanás? Ainda por cima mandona, resmungona e respondona? Nunca que nunca" (8-9). "O velho Mateus só refilou, onde já se viu noiva dar presente de casamento? E ainda por cima uma máquina que não serve pra nada. Mal sabia ele..." (9).
São, portanto, três instâncias do movimento narrativo: a existência de Kianda, em um momento da oralidade, a tradição transmitida pelos europeus colonizadores e o raciocínio marxista. A música de Kianda, no livro, não é primeiramente uma narrativa, mas uma sonoridade. Sonoridade que a narrativa de Pepetela não reproduz. O que é revelado é o processo de percepção de Cassandra dos sons de Kianda. Sendo assim, Kianda não chega a ser uma narrativa mítica, mas a própria existência do sagrado na terra. Kianda está em busca dessa oralidade, por isso Cassandra tenta organizar em uma narrativa o que ouve e é interpretado por um senhor. Ela evidencia o processo de degeneração são as narrativas importadas.
O primeiro, o discurso marxista é um exercício originário da cultura letrada ao analisar a história humana e concluir que ela é determinada pelas contradições dos modos de produção situados em uma formação social e pelos meios de produção que implicam a dominação de uma classe por outra. A história está, portanto, instituída sobre a luta de classes. O segundo, a fala e a prática cristã estão fundamentadas nos dois princípios básicos: o bem e o mal. Deus é apenas bom. Dele emana a vida e a criação do universo. O erro decorre do distanciamento de Deus. As narrativas bíblicas são originárias da oralidade do povo judeu. Como tal, o conjunto de textos foi perpetuado pela memória de alguns oradores até que fosse registrado pela escrita.
A identidade proposta pelo livro de Pepetela está vinculada a um estágio original: fase de musicalidade que está aquém dos conflitos entre cristãos e marxistas, e eficaz na destruição de ambos. Diferentemente está o enigma sonoro, a falta de inteligibilidade, a ação do espírito das águas. Esse é um espaço desconhecido que interfere no cotidiano de Luanda, propondo o renascimento, assim como o império que se instaura em Lueji, outra obra de Pepetela.
Em O desejo de Kianda , prédios desfazem-se em notas musicais. Kalumbo voa, cego. Kianda, o espírito das águas que estava preso sob as construções, resolve se fazer ouvir pela música, e, por fim, pelo desmoronamento dos prédios, para libertar-se.
o prédio em construção se desfazia em notas de música. Mais velho Kalumbo voava, cego, feito pássaro. Vinham os tijolos. Candeeiros, fogareiros, esteiras, panelas. Cassandra sentiu o apelo que vinha das águas da lagoa, foi esbracejando como quem nada e orientou a queda, mergulhando nas águas. Desaparecida para sempre.( Pepetela, 118)
A língua portuguesa cruzou os mares em direção aos continentes americano e africano, e, em O desejo de Kianda, os intertextos produzem relações que registram o intercâmbio, enfatizando a existência das narrativas da oralidade. Elas compõem, portanto, a interferência, o ruído que vem da margem do texto para o centro do debate. O silêncio nas cartas e relatos das grandes viagens acerca do discurso duplo, das outras cosmovisões, abre-se para a ocorrência da recuperação de narrativas fundamentais angolanas. Se, na carta do rei do Congo, ele é qualificado de príncipe cristão na tradução do estranho para a ótica ocidental. Em O desejo de Kianda, a narrativa ao rei Dom Manuel é subvertida e desencantada pelo "cântico, finalmente no máximo da potência, (que) romp(e)ia a espessura das águas e inunda(va) a cidade, contando para todos o desejo, antes secreto, de Kianda" (idem).
Retomando Homi Bhabha 9, para quem
as grandes narrativas do historicismo do século dezenove, em que se baseiam suas pretensões ao universalismo o evolucionismo, o utilitarismo, o evangelismo - também foram em outro espaço/tempo textual e territorial, as tecnologias da governança colonial e imperialista. É o racionalismo dessas ideologias do progresso que vai sendo crescentemente erodido no encontro com a contingência da diferença cultural" (Bhabha, 1998, p. 270-1).
O desejo de Kianda é uma obra literária que rompe com o conhecido para expor o silêncio. A compreensão de Cassandra mostra a sonoridade pré-colonial que se impõe sobre as estranhas construções. O segredo de Kianda é revelado: as culturas milenares existem e se misturam na recente história de formação do Novo Mundo.
Caminha, Pero Vaz de. Carta a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil : 1 de maio de 1500. Lisboa : Imprensa Nacional, 1974, 132 p
O nome Angola advém do título de seu rei, ngola ou ngola a kiluanje. A área angolanano século XVI perfaz espaço entre os rios Cuanza e Lucala, no Bengo. Seus habitantes eram do povo Mbundu (Ambundu, com o prefixo de plural).
A Batalha de Ambuíla e Rei do Kongo: André Vidal de Negreiros, articulador da expulsão dos holandeses do Maranhão e comandante das tropas de Guararapes (PE), governa Angola de 1661-66. Em outubro de 1665, ele coordena a batalha de Ambuíla, com vitória portuguesa sobre o rei do Congo. D. António perdeu a vida. Com essa batalha, culminou a decadência do reino do Congo. Em O desejo de Kianda , o evento é citado assim: "que se saiba só houve o da batalha de Ambuíla, em que o Rei do Kongo foi derrotado e de cabeça decepada, por obra da Virgem Maria que comandou em pessoa o exército português" (11).
CHATELAIN, Hélin. Contos populares de Angola: cinquenta contos em quimbundo. Lisboa: Agéncia Geral do Ultramar, 1964, 570 p..
Bakhtin, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski . Rio de Janeiro : Forense Universitária, 1981. 239 p.
Mérimée, Prosper. Carmen. São Paulo : FTD, 1989. 93 p.
Além de Mèrimée e Bizet, o tema foi tratado também por cineastas como Carlos Saura e Jean-Luc Godard nos filmes "Carmen" (1983) e "Prénom Carmen" (1983), respectivamente.
CARMINA BURANA : canções de Beuern. São Paulo: Ars Poética, 1994, 215p.
BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998, p. 395.