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Moacyr Scliar e a cosmogonia da vida minúscula
Vivien Gonzaga (UFMG)

Porque no princípio da literatura está o mito, e também no fim.

(Jorge Luis Borges)

Levi-Strauss defendia que seria necessário recuperarmos um elo, há muito rompido, entre o pensamento científico e o pensamento mitológico. O que Levi-Strauss chama de um "divórcio necessário" entre a ciência moderna e o "respeito pelos dados dos sentidos" fez-se muito perceptível, de fato, entre os séculos XVII e XIII, quando o paradigma da racionalidade parece querer afirmar-se como solução tanto para os grandes enigmas da existência quanto para as inumeráveis questiúnculas do cotidiano humano.

É certo que a ciência contemporânea vem, de algum modo, rendendo-se a uma certa reconciliação com esse mundo do sensível, mesmo que disso não faça alarde - ou que tal aproximação não se encontre expressa em seus pressupostos. É o que se poderia pensar, ainda à época de Levi-Strauss, diante, por exemplo, das pesquisas desenvolvidas no campo da neurofisiologia, que permitiram atribuir às células nervosas da retina uma fina especialização responsável pela percepção diferenciada de linhas retas, verticais, horizontais, oblíquas e assim por diante. Dito de outra maneira, a oposição entre o sensível e o inteligível encontra, nesse caso, uma solução na estrutura do sistema nervoso, ou seja, não na experiência nem na mente, mas "num ponto intermédio entre a mente e a experiência", no modo como o nosso sistema nervoso se interpõe entre a mente e a experiência. 1 Essas descobertas tocam de perto uma discussão que intrigava os filósofos desde a Antigüidade: seria a partir da observação de inúmeros objetos redondos que seríamos capazes de abstrair a idéia de círculo? ou seria essa uma idéia perfeita e inata à mente, e a partir da qual seríamos capazes de projetar círculos no mundo real?

Levi-Strauss tornou-se, pois, um antropólogo, "não porque estivesse interessado em Antropologia, mas porque tentava deixar a Filosofia", 2 pelo menos uma certa Filosofia que voltava as costas àquilo que se mostrava intangível pela razão.

É nesse ponto intermédio almejado por Levi-Strauss que se pode lidar com o mito, uma ocorrência sempre incômoda para o pensamento científico, mas que se estabelece em toda e qualquer cultura, sobrevivendo entre a imaginação fabulosa e os dados que configuram o mundo factual, a realidade - ela mesma uma construção.

Contudo, são poucos os refúgios que reservamos para dar vazão e legitimar essa relação com o ilógico - marcados que estamos, mesmo que a contragosto, pelo ideário racionalista. Os mitos religiosos, continuamente reinterpretados ao longo dos tempos, circulam no imaginário contemporâneo com um relativo conforto, protegidos, entre nós, pela garantia constitucional da liberdade de credo - pois que a fé professada não admite verificação pelo método científico. Porém, esses mitos, adaptados à dinâmica do mundo contemporâneo - que inclui a mutante configuração de forças entre as instituições religiosas e a crescente exigência de espetacularização do privado -apresentam um parentesco já bastante remoto com suas ocorrências primordiais. Mesmo assim, cumprem seu papel de dar significação simbólica a determinados aspectos da condição humana, correndo à margem da ordem estabelecida pelo pragmático e à revelia das flagrantes contradições que o conhecimento científico lhes imputam.

É sobre a literatura, porém, que recai meu interesse mais imediato para abordar nossas ambíguas relações com o universo mítico. Especificamente, quero tratar de um texto que se abre a esse universo de forma particularmente inquietante. É que há algo de muito estranho na voz que narra Cenas da vida minúscula , de Moacyr Scliar. Desde as primeiras linhas, essa voz processa inúmeros deslocamentos no tempo e no espaço, deixando em suspenso qualquer certeza quanto aos rumos dessa narrativa, publicada, pela primeira vez, em 1991.

Com uma espécie de bordão, esse narrador remete, categoricamente, ao mundo dos fatos, ao real, ao comprovado e comprovável: "Não é pouco o que hoje sei", diz ele com afetado orgulho. Mas, à medida que a narrativa avança, instala-se, no leitor, um certo desconforto, pois o que esse narrador, orgulhosamente, afirma saber, é da ordem do evidente: "Sei que este país se chama Brasil, e sei o que é um país. Sei o que é história, e sei que este país tem uma História". 3 Porém, o que, de fato, há de estranho nesse narrador vai muito além de uma leve incongruência entre o saber ostentado e a miudeza das informações que afiançam esse saber.

Ao informar que nasceu na selva, mais exatamente, na floresta amazônica, essa voz nos soa, então, algo verossímil. Um indígena em franco processo de assimilação bem poderia se ver fascinado pelas "unidades de medida aceitas pelos povos civilizados" ou dedicar-se a aprender, tenazmente, a letra do hino nacional brasileiro, a qual já tem escrita em uma agenda de bolso, que é, "a propósito, um repositório de preciosas informações" - não é pouco o que ele sabe!

Não fosse um detalhe, esse perfil nos bastaria para continuar a leitura sem maiores incômodos - lembro, porém, que isso não é possível quando se trata de um texto de Scliar. Em meio a decantadas considerações sobre a utilidade do telefone, o formato do pulmão humano, a função do relógio, quase deixamos passar desapercebida a real condição do nosso narrador: "posso dizer que há um ano e dois meses eu media dez centímetros de altura"; revela a voz, desarranjando todos os pressupostos antropológicos - e, principalmente, os lógicos - sobre os quais nos havíamos apoiado até então.

É nesse ponto exato da narrativa que se desfaz a fronteira entre o mundo construído sobre a razoabilidade do conhecimento científico e o mundo implausível dos mitos; e melhor será permanecermos no mesmo limiar em que se encontra esse minúsculo ser que nos serve de guia na floresta textual de Scliar.

Esse personagem, esse cicerone, a despeito de seu ínfimo tamanho, se diz humano; e reivindica para si uma linhagem nobre: "Descendo, e não deixo por menos, daquele rei bíblico, o Salomão". E ele mesmo se indaga: "Como, da linhagem real, foi brotar um ramo tão minúsculo?". 4 A partir dessa informação nada crível, a narrativa se desloca para o campo do sagrado, remontando aos textos míticos que tratam das origens da humanidade. Ao mesmo tempo, como uma das marcas da escrita de Scliar, trará essas cosmogonias para a esfera do mundano, movendo-se indistintamente nos domínios do histórico e do fabuloso.

Para minorar o estranhamento provocado por sua condição minúscula, esse narrador irá recorrer ao Livro das origens , aqui, um signo e metáfora de toda uma produção humana que se pretende um arquivo de nossa memória ancestral e que, segundo Scliar, "nos oferece a esperança de uma verdade eterna que precede a História e que acabará por superá-la". 5

Como todo relato mítico, esse Livro das origens se apresenta de forma reticular, fragmentária, concentrando, simultaneamente, inúmeras referências cujos contornos se mesclam e se apagam na reconstrução de um tempo imemorial. Como "O livro de areia" de Borges, é esse também um livro monstruoso. Diferentemente dos textos míticos que de fato ainda circulam entre nós, esse Livro das origens não é, num primeiro momento, fruto de uma tradição oral, aglutinador de testemunhos e fabulações multiautorais. Ele constitui uma espécie de memorial de um único homem, Habacuc, não o profeta da narrativa bíblica, mas um dos milhares de filhos de Salomão, e o primeiro de uma descendência de habacucs . Como registro de um passado longínquo, o Livro das origens é também o registro de todos os tempos. Crônica da estirpe de David, é igualmente a biografia impossível da humanidade. Como o terrível livro borgiano, também o livro de Habacuc está irremediavelmente perdido, talvez na floresta amazônica ou, quem sabe, na úmida prateleira de uma biblioteca.

Seja como for, o Livro das origens está gravado, palavra por palavra, na memória do narrador de Scliar, e será, a partir dessa memória compulsiva, a nossa porta de acesso para as intrigas do palácio real e para a aventura da genealogia do pequenino narrador; uma aventura que se inicia com a empreitada cooperativa entre o poderoso Salomão e Hiram, o não menos poderoso rei fenício, que se aliam para buscar ouro, madeira e pedras preciosas para a construção do grande templo de Iahweh, o deus hebraico. Essa primeira referência explícita ao texto bíblico irá entrelaçar-se, numa geografia impensável, à lenda das amazonas, aos atlantes, à guerra de Tróia, entre outros episódios notórios ou inéditos, expondo as entranhas ficcionais de toda e qualquer narrativa.

O relato de Habacuc prosseguirá, pela voz do estranho narrador, apresentando os feitos do rei Salomão, apropriando-se da narrativa bíblica, corroborando ou distorcendo, recriando o texto oficial. É assim que surge em cena Sulamita, não aquela que teria inspirado o "Cântico dos cânticos", mas uma outra, também filha de Salomão. Essa personagem pede a ajuda de Habacuc para cumprir a missão que Salomão lhe teria confiado. Ela deveria escrever um livro: "O grande Livro, o Livro que contará a história de nosso povo", diz ao meio-irmão. 6 Lembro, aqui, que esse mote será retomado por Scliar num outro romance, publicado em 1999: A mulher que escreveu a Bíblia , num diálogo genial com O Livro de J. , de Harold Bloom.

Em Cenas da vida minúscula , Sulamita irá fazer de Habacuc seu confidente, revelando-lhe, numa gradação alucinante, suas angústias diante da tarefa ingente. Ao dedicar-se ao estudo da história de seus antepassados, Sulamita apreende um movimento subterrâneo que escapa à versão legitimada dos fatos, uma versão que reduz seu povo a "guerreiros e sacerdotes", uma versão machista, segundo ela, restrita a nomes e verbos. Assim como a narradora de A mulher que escreveu a Bíblia , Sulamita atormenta-se com a secura da palavra; ela quer adjetivos, quer os detalhes, as longas descrições, sem as quais será impossível contar, como diz, a história de "seres humanos vivendo constantemente no limiar da existência". Ela deseja, então, "substituir o texto pela experiência real, sensorial", e reivindica para si o lugar de Deus! Já no limite de sua revolta, ela desabafa com o irmão: "Deus é onisciente, mas eu sou mais onisciente do que Deus, eu sei o que ele pensa. Ele não me derrotará, Habacuc, nem ele, nem seu preposto Salomão. Ele criou o céu e a terra, mas eu crio o texto que ele habita". 7 Em seu transe, Sulamita explicita uma relação umbilical entre mito e realidade: é no texto, em todas as suas metamorfoses - literárias, inclusive - que residem todas as coisas criadas, mas, também, é o texto a morada do criador. A voz blasfemante de Sulamita nos diz, de algum modo, que é somente através da contínua reescrita que o mito pode sobreviver, e, por ele, uma realidade representada.

Pouco depois dessa passagem, Habacuc encontrará a irmã pela última vez. Num bosque sombrio, ela, ajoelhada, remexia a terra úmida. Aos poucos, ele distingue a cena:

do barro mole, ela tinha modelado a figura de um homem. Grotesca figura, com detalhes grosseiramente exagerados - o pênis se eleva do baixo ventre como uma coluna apontando para o alto. - Apresento - ela disse - o meu amigo Adão. 8

A loucura de Sulamita será a obsessão desse primeiro Habacuc, que tomará para si não só a escrita frustrada da irmã, mas também o seu desejo de dar vida à matéria inanimada, de repetir o gesto divino e criar, do barro, um ser vivo, um homem.

Iniciado nos mistérios da magia, pelo resto de sua vida, Habacuc perseguiu, sem êxito, essa paixão, e a transmitiu a seu filho e, sucessivamente, a toda a sua descendência. Durante os milênios seguintes, um após outro, os habacucs irão se dedicar ao aprendizado dos mistérios da vida e da morte, formando uma dinastia de magos respeitados. Cada Habacuc, a seu tempo, um tempo que se antecipa e se retrai ao longo do romance, irá protagonizar uma parcela da história da humanidade, na tentativa de reviver o momento mítico da criação. Nesse percurso obstinado, irão conviver com personagens ilustres: Pitágoras, Paracelso, Montaigne, Newton, Descartes foram apenas alguns dos mestres e conselheiros dos habacucs . Dedicam-se à geometria, à filosofia e às artes; à astronomia, à economia, à astrologia; esmeram-se nas pesquisas místicas e no exercício da bruxaria; enveredam-se pela alquimia, pela medicina. A narrativa trafega, assim, pelas mais diversas áreas do conhecimento, apropria-se dos diferentes discursos, dialoga com textos canônicos e apócrifos, nivelando-os pelo estatuto da ficção.

Já desiludido pelo fracasso de seus precursores, um certo Habacuc resolve voltar-se, então, para a tradição judaica. No Talmud , ele encontra o que entende ser um roteiro para realizar seu intento: "Na primeira hora foi coletado o barro de que era feito; na segunda, foi concebida a forma de seu corpo; na terceira, ele era ainda massa informe, um golem , mas na quarta recebeu membros..." 9

Esse trecho do Talmud sobre a criação de Adão introduz, na narrativa de Scliar, uma antiga lenda judaica. Uma das versões mais célebres dessa lenda conta que, na cidade de Praga, em torno de 1580, o rabino Iehudá Löw, desejando pôr fim aos ataques e perseguições que os judeus sofriam naquele momento, teria feito um apelo a Deus. A resposta lhe viera em sonho, em palavras dispostas em ordem alfabética, em hebraico: " Ata bara golem dovek hashomer v'tigzar zedim chevel torfeh Israel " - criarás um Golem de argila e ele destruirá os inimigos de Israel. E assim fez o Rabi Löw: modelou um grande homem de barro e colocou, num orifício de sua cabeça, um pequeno pergaminho em que estava escrito o nome de Deus, o nome sagrado que lhe deu a vida. E o Golem cumpriu sua missão, protegendo o gueto judeu contra os inimigos. Todas as noites, o rabino deveria retirar o pergaminho da cabeça do Golem , mas, certa vez, esqueceu-se e foi para a sinagoga, dando cumprimento aos serviços sabáticos, ficando o Golem em atividade mais tempo do que o recomendável. Diz a lenda que a criatura teria se descontrolado e começou a destruir tudo o que via pela frente, tornando-se necessário desativá-lo para sempre. Ao ser-lhe retirado o pergaminho, em definitivo, o Golem perdeu o dom divino da vida e voltou a ser um punhado de massa informe, um monte de argila: retorna ao pó do qual foi criado.

Essa lenda tem ressonâncias até os dias de hoje e, como todo mito, vem admitindo acréscimos, cortes, arranjos, rearranjos, adaptações diversas. Na versão de Scliar, o Golem é destruído pelo fato de ter se apaixonado por uma prostituta, não casualmente, chamada Lilith. Mas, embora Habacuc não tenha conseguido a receita mágica para fazer seu próprio Golem , a experiência do Rabi Löw foi imprescindível para que o pequeno narrador de Cenas da vida minúscula viesse a nascer. Informado por Lilith sobre a maldição que, por vingança à destruição de seu amado, ela havia lançado sobre a cidade, e que impedia a criação, naquele lugar, de qualquer vida artificial, Habacuc parte para a América, o local mais distante de Praga que ele concebia então. Vitimado por um naufrágio, vem parar no Amazonas, onde terminará seus dias, quase esquecido de sua própria história. Antes, porém, ele irá realizar o grande prodígio, criando, primeiro, uma mulher - na verdade, uma mulherícula -, e depois, um homúnculo, de pouco mais de meio palmo. No entanto, suas criaturas não surgirão diretamente do barro, como no mito tradicional, mas de um amálgama de elementos aparentemente aleatórios - entre outros, um pouco da terra local, o próprio sangue, restos de uma amazona devorada por uma planta tropical, esperma - numa espécie de condensação de todas as experiências realizadas por seus antepassados. Não seria também desse modo que se recriam e se perpetuam os mitos ao longo do tempo e ao longo dos textos? Pela mescla de fragmentos, de partículas de outras narrativas, de outras tradições?

Após a morte de Habacuc, esse minúsculo casal dará origem a uma civilização liliputiana, multiplicando-se - mas não crescendo, assegura o narrador -, no meio da selva amazônica, e revivendo, através dos séculos, os ensinamentos do seu criador e patriarca, imortalizados no Livro das origens .

Dessa tribo em miniatura, nascerá o narrador do romance, uma voz que, já no tempo presente, quer dar a conhecer todo o saber armazenado, não por ele, mas pela humanidade. Seu relato, por isso mesmo, se constrói como uma rede, uma colcha de retalhos. Exilado de sua tribo, esse minúsculo ser viverá em São Paulo e começará a crescer, atingindo altura apenas suficiente para transitar no novo espaço e conviver com uma cultura diferente daquela de seus antepassados, uma cultura para a qual olhará com fascínio e horror, com curiosidade e repulsa. Assim como aconteceu a Habacuc, ele começará a se esquecer de suas origens, colocando em dúvida a própria narrativa: "Houve tal cena? Existiu tal olhar?". O que é História pode se transformar em lenda, em mito. E nunca se sabe que parcela de História pode um mito conter. Onde falha a memória, cria-se. Ao recorrer ao Livro das origens , esse narrador evidencia o lugar vacilante da escritura, o mesmo lugar falho e lacunar da memória. Esse livro se escreve e se desvanece em todos os livros, em todos os tempos. E não pode haver certezas quando "há história que puxa história, história que contém história". Não se pode, como dizia Clarice Lispector, escolher, em meio à trama de um tapete, um único fio para seguir.

 

Cf. STRAUSS-LEVI, Claude. Mito e significado . Edições 70, Lisboa, Portugal, p. 20, 2000.

STRAUSS-LEVI, Claude. Mito e significado . Edições 70, Lisboa, Portugal, p. 22, 2000.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 5. 2003.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 10. 2003.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 82. 2003.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 16. 2003.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 21. 2003.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 23. 2003.

SCLIAR, Moacyr. Cenas da vida minúscula . 2.ed. LP&M, Porto Alegre. p. 69. 2003.