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O dandismo e a estética do Belo: Gautier e Wilde
Sabrina Ribeiro Baltor (UFRJ)
“Na arte, não há nada de moral nem de imoral, há o belo e o feio, coisas bem feitas e coisas mal feitas.” 1
“Não existe isto de livros morais ou imorais. Livros são bem escritos ou mal escritos. E só” 2
A semelhança existente entre as frases de Gautier e de Wilde não é fruto de mera coincidência. Há inúmeros pontos correspondentes na concepção estética destes dois escritores do século XIX.
João do Rio, autor brasileiro, que na esteira de Wilde, igualmente defende uma estética literária em que o Belo deve reinar, no texto introdutório à sua tradução de O Retrato de Dorian Gray , afirma que no prefácio do único romance do escritor inglês está “a sua teoria de arte e uma resposta em epígrafes à obtusidade da crítica.” 3
Vale lembrar igualmente a relevância e o impacto dos prefácios de Théophile Gautier e sua eterna briga com a crítica literária de sua época, o que sugere mais uma característica artística em comum destes escritores. Miríades de críticos vêem o prefácio de Mademoiselle de Maupin como um manifesto bombástico. Geneviève van den Bogaert, em uma introdução ao romance publicado pela editora GF – Flammarion, classifica-o como: “um tipo de manifesto da jovem escola”. 4
Neste trabalho, procuro apontar similitudes entre as obras de Gautier e Wilde, bem como discutir alguns temas recorrentes no século XIX: a estética do Belo, a amoralidade da arte e a inutilidade da arte, que ambos insistiam em proclamar. Procuro investigar a origem de tal posicionamento, considerando, sem dúvida, os diferentes contextos específicos em que estes escritores defenderam esse ponto de vista, sem nunca deixar à parte os momentos de encontro entre suas obras ficcionais e seus ensaios críticos.
Pretendo tangenciar estes temas, abordando os prefácios de Mademoiselle de Maupin de Théophile Gautier e o de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, bem como os textos com os quais estes manifestos literários dialogavam.
Como ressaltei anteriormente, a fim de abordar os temas da amoralidade e da inutilidade da arte, bem como da estética do Belo, é necessário reconstituir o contexto em que tais questões eram estopins de discussão. No prefácio tanto de O Retrato de Dorian Gray de Wilde, quanto de Mademoiselle de Maupin de Gautier, tais assuntos são abordados. É interessante notar que estes textos introdutórios servem como uma defesa, no que concerne a O Retrato de Dorian Gray, a críticas feitas ao próprio romance no período de sua publicação no jornal ou, no que tange ao de Gautier, a diatribes lançadas contra o seu artigo sobre Villon que foi publicado no periódico La France Littéraire . Analisaremos, inicialmente, trechos do prefácio do autor francês e, em seguida, os do autor inglês, aproximando-os sempre que possível.
Théophile Gautier encontrou nos periódicos uma forma de divulgar suas convicções estéticas e proteger suas paixões artísticas, ao mesmo tempo em que tentava construir para si um espaço no campo literário. 5 Em 1834, começa a publicar, no jornal La France Littéraire, a série Les Grotesques, composta por artigos sobre alguns poetas franceses admirados pelo jovem escritor, no entanto, pouco estudados no século XIX. É justamente uma análise da obra de Villon, poeta do século quinze, que enfurece os articulistas do Le Constitutionnel , jornal do governo, de cunho extremamente conservador e chamado por Gautier e seus amigos de “jornal pudico e progressivo”. 6
As poesias de Villon eram consideradas imorais e indignas de estudo, segundo a linha editorial do Constitutionnel e, por conseqüência, somente uma pessoa torpe escreveria um artigo ressaltando as qualidades deste poeta francês. Eis o final do texto gerador da polêmica, que, além de instigar Gautier a escrever o prefácio de Mademoiselle de Maupin, gerou um processo nos tribunais envolvendo os dois periódicos.
Finalizamos com uma reflexão que as dele provocarão sem dúvida em mais de um leitor: em que grau de depravação do gosto e da moral eles chegaram para que se ouse assinar um semelhante artigo e para que uma folha periódica ouse publicá-lo? 7
Um ano depois, Gautier lança o primeiro volume de Mademoiselle de Maupin com o seu famoso prefácio, vingando-se dos jornais e dos jornalistas falsamente castos. A ironia, arma recorrente do estilo deste escritor francês, é usada desde o primeiro parágrafo, ridicularizando a imprensa de sua época.
Uma das coisas mais burlescas da gloriosa época onde nós temos a felicidade de viver é incontestavelmente a reabilitação da virtude empreendida por todos os jornais, de qualquer cor que eles sejam, vermelhos, verdes ou tricolores. 8
Neste trecho, é possível perceber facilmente que o autor francês utilizará sua verve crítica para ridicularizar não só a moral, representada pelo sentimento da virtude, não apenas as diversas tendências políticas adotadas pelos jornais franceses, colocando-os todos num mesmo plano (vermelhos, verdes ou tricolores), mas toda a sociedade, toda a mediocridade de sua época que chama sarcasticamente de “gloriosa”. Basta este excerto para delinear o tom do prefácio. Em seguida, destacaremos e exploraremos os temas que separamos para estudo.
O jovem escritor, com apenas vinte e quatro anos, esboça em algumas linhas uma convicção estética que o acompanhará até a morte: a arte não deve ser influenciada por nenhuma corrente filosófica, política, social ou religiosa. Igualmente acompanhamos o desprezo de Gautier pela corrente saint-simonienne, que considerava a arte um instrumento para a educação moral das diversas camadas sociais.
Quando acusado de desenvolver uma literatura abjeta e imoral e de ser um libertino, Théophile se defende alegando que se ele pratica uma arte licenciosa, todos os autores clássicos que os jornais tanto recomendam, da mesma maneira poderiam ser considerados licenciosos. Ele cita Voltaire e Molière em sua defesa, sobretudo, este último, apontando o quanto este dramaturgo ironizava a santa instituição do casamento. Por fim, termina a análise comparando as suas audácias com as deste autor.
Tudo o que nós acabamos de dizer aqui não é para abalar o pedestal de Molière; nós não somos bastante loucos para ir sacudir este colosso de bronze com nossos pequenos braços; nós queríamos simplesmente demonstrar aos piedosos folhetinistas, que afugentam as obras novas e romanticas, que os clássicos antigos, cuja leitura e imitação eles recomentam a cada dia, os ultrapassam de muito em galhardia e em imoralidade.” 9
Em outro momento, discute a utilidade da arte, ridicularizando a idéia de que esta possua uma função social. O excerto abaixo foi construído em forma de diálogo. De um lado, observa-se a crítica que acredita no papel educativo e filantrópico da arte e, de outro, o autor destilando ironia e defendendo a literatura como produtora do Belo, provando o quão absurda é a idéia de uma obra artística em prol da educação do povo.
Para que serve este livro? Como se pode aplicá-lo à moralização e ao bem estar da classe mais numerosa e mais pobre? O quê?! Nem uma palavra das necessidades da sociedade, nada de civilizador e de progressivo! Como, no lugar de fazer a grande síntese da humanidade, e de seguir, através dos acontecimentos da história, as fases da idéia regeneradora e providencial, pode-se fazer poesias e romances que não levam a nada, e que não fazem avançar a geração no caminho do futuro? Como se pode se ocupar da forma, do estilo, da rima em presença de tão graves interesses? – O que nos fazem, para nós, o estilo, a rima, e a forma? É bem disso que se trata (pobres raposas, elas são verdes demais)! (...)
Não, imbecis, não, cretinos e papudos que vós sois, um livro não produz da sopa à gelatina; - um romance não é um par de botas sem costura; um soneto, uma seringa com jato contínuo; um drama não é uma estrada de ferro, todas as coisas essencialmente civilizadoras, e fazendo a humanidade andar na via do progresso.” 10
Gautier tentará ainda provar que tudo que é belo é inútil. E tudo o que é útil é feio. Enfim, é possível perceber que a arte, para Gautier, só deve respeitar as exigências do estilo, de modo a criar uma obra refinada, colorida e bela. As demandas da sociedade no que diz respeito à educação do povo, à preservação da moralidade, ao incentivo ao bom caráter estão fora da esfera de uma obra verdadeiramente artística. Deste modo, o romance não deve se preocupar com respeitar as regras morais vigentes, nem com tentar ser útil à ordem social, deve apenas buscar a construção do Belo.
Não há nada de verdadeiramente belo que possa servir a alguma coisa; tudo o que é útil é feio, porque é a expressão de alguma necessidade, e aquelas dos homens são ignóbias e repugnantes, como sua pobre e enferma natureza. – O endereço mais útil de uma casa são as latrinas.
Eu, que isto não desagrade a estes senhores, eu sou daqueles para quem o supérfluo é o necessário, - e eu amo de preferência as coisas e as pessoas na razão inversa dos serviços que elas me prestam.
Embora seja bem curto, o prefácio de O Retrato de Dorian Gray não é menos interessante, nem menos rico para o estudo dos temas que escolhemos. É pelo texto introdutório de João do Rio à sua tradução do único romance de Wilde que tivemos acesso às circunstâncias de sua primeira publicação em periódico, ao frenesi gerado pelo romance, que angariou imediatamente detratores e entusiastas. Tudo isto fica claro no primeiro parágrafo escrito por Paulo Barreto, em 1919:
O Retrato de Dorian Gray apareceu no Lippuicott's Magazine em 1890. Foi de súbito o maior escândalo literário de que se tem memória. Os jornais, numa crise de furor inaudito, diziam do romance os maiores horrores. E conseqüentemente diziam também do autor. 12
O contexto não me parece muito diferente daquele em que Gautier publicou seu artigo sobre Villon e, em seguida, o romance Mademoiselle de Maupin e o seu prefácio. A maioria dos jornais se indigna contra O Retrato de Dorian Gray e, conseqüentemente, contra o seu autor. No entanto, Wilde não se redeu, enviando diversas cartas de resposta aos jornais, como informou o escritor de A alma encantadora das ruas .
Os comentários de João do Rio a respeito da obra configuram-se pertinentes e interessantes, sobretudo, porque apontam para algumas preocupações literárias freqüentes no século XIX e no início do XX. Sobretudo duas frases que destacaremos. Em uma, o escritor carioca revela o alcance da obra de Wilde no início do século que despontava: “Hoje passou a ser o credo de uma estética nova, na terra inteira” 13. E logo depois ressalta, segundo o seu jugo, a maior qualidade do romance: “ Dorian Gray é um dos mais belos livros. É integralmente belo.” 14 Destarte, o prefácio de Oscar Wilde que classifica a arte como inútil, um livro como amoral, ou seja, não objetivando nem a moralidade, nem a imoralidade, é visto como o manifesto fundador de uma nova estética cujo esboço já observamos no prefácio de Mademoiselle de Maupin . Paulo Barreto encontra no adjetivo belo o mais próprio e digno da obra de Wilde, insinuando a importância dada por este grupo de artistas separados por algumas décadas à construção do Belo na obra artística, sendo esta a sua nobre finalidade.
O famoso prefácio de O Retrato de Dorian Gray só foi escrito para a edição em volume e foi lá que o escritor inglês concentrou suas respostas às críticas ferozes que ele e sua obra recebiam.
Wilde inicia o seu mais famoso prefácio, afirmando que “Um artista é um criador de belas coisas” 15, ou seja, é aquele que constrói o belo. O pintor Basil, autor do famoso Retrato que dá origem ao título do romance de Wilde, igualmente expõe a sua teoria de arte a Lord Henry, colocando no maior pedestal o sentido abstrato da Beleza perdida, segundo o personagem, em um século crente somente na identificação absoluta entre o autor e a obra.
- E é por isso que os odeio! O artista deve criar coisas bonitas, mas não deve colocar, nelas, nada da própria vida. Vivemos numa era em que os homens tratam a arte como algo destinado a uma forma de autobiografia. Perdemos o sentido abstrato da beleza. Um dia eu ainda mostro ao mundo o que é arte. E é por este motivo que o mundo não deverá, jamais, ver o meu retrato de Dorian Gray. 16
Em uma outra parte do romance de Wilde, Lord Henry revela o desejo de escrever um livro que seja essencialmente belo e aproveita o ensejo para criticar os jornais. Estes, segundo o personagem, não avaliam a literatura de modo correto e declara a incapacidade dos ingleses para perceber o sentido de beleza na literatura.
- Gosto tanto de livros, Sr. Erskine, que nem me preocupo em escrevê-los. Claro que gostaria de escrever um romance, um romance tão encantador, e tão irreal, quanto um tapete persa. Mas, o único problema literário existente na Inglaterra está voltado para jornais, cartilhas e enciclopédias. Dentre todos os povos do mundo, são os ingleses os que possuem o menor sentido de beleza da literatura. 17
Dorian, por seu lado, encarna a própria beleza artística em seu modo de trajar-se, falar, andar, como um perfeito dândi. Quando o personagem é descrito desta forma, há a citação de dois escritores: Dante e Gautier. Dorian é identificado com este último escritor e com a sua convicção de que a descrição requintada do exterior dos objetos não é banal, é simplesmente um dos caminhos para se alcançar a Beleza.
A eles, Dorian parecia pertencer em companhia daqueles que, segundo a descrição de Dante, procuram “fazer-se perfeitos através da adoração da beleza”. Assim como Gautier, Dorian era alguém para quem “existia o mundo visível”. 18
Vale lembrar que Théophile Gautier é considerado um dos fundadores da teoria estética da arte pela arte, sempre buscando e defendendo a Beleza na obra literária, desprezando qualquer tipo de ensinamento moral em um objeto artístico. Essa sua visão particular da literatura irá encontrar adeptos e suas palavras irão ressoar no pensamento e nos textos de escritores, como Wilde. Mario Praz aponta esse papel do escritor francês, em A carne, a morte e o diabo na literatura romântica :
Gautier é o verdadeiro e próprio fundador do estetismo exótico – diria quase: da escola do estetismo exótico, já que veremos os exóticos, durante todo o curso do século, servindo-se dele, direta ou indiretamente. 19
Da mesma forma, Wilde afirma que o artista não deve se posicionar perante as questões éticas, não deve tentar provar nenhuma teoria ou defender qualquer doutrina. E não se trata para o escritor de Salomé de defender ou a virtude ou o vício, mas sim utilizar ambos como material para a arte, como afirmou em seu mais famoso prefácio.
Ao longo de todo o século XIX, discutiu-se muito sobre o objetivo da literatura, sobre a sua missão moral e o seu poder perverso e corrupto. Busquei, sobretudo, nesta breve comunicação, lançar luz sobre o diálogo existente entre as estéticas de Gautier e de Wilde, que se não é desconhecido, é ao menos insuficientemente explorado. Enfim, após a análise dos dois prefácios, é possível afirmar que embora sejam artistas de nacionalidades diferentes, que escreveram em décadas diversas (os prefácios de Mademoiselle de Maupin e o de O Retrato de Dorian Gray foram publicados respectivamente em 1834 e 1891), os dois combatentes pela autonomia da arte compartilhavam do mesmo amor pela estética, pelo estilo, pela escritura que leva à construção do Belo.
Bibliografia
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TORTONESE, Paolo. Notices et Notes. In: GAUTIER, Théophile. Oeuvres. Robert Laffont. Paris. 1995.
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GAUTIER, Théophile. Charles Baudelaire . In: Fusains et eaux fortes . L'Harmattan. Paris. P. 308. 2000.
“En art, il n'y a rien de moral ni d'immoral, il y a le beau et le laid, des choses bien faites et des choses mal faites.” [tradução nossa]
WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. 5 a edição . Editora Francisco Alves. Rio de Janeiro. P.1. 1991.
DO RIO, João. In: WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray . Livraria Garnier. Rio de Janeiro. P. IX. 1923.
BOGAERT, Geneviève Van Den. Introduction. In: GAUTIER, Théophile. Mademoiselle de Maupin . GF – Flammarion. Paris. p.11. 1966.
“une sorte de manifeste de la jeune école” [tradução nossa]
BOURDIEU, Pierre. Les règles de l'art . Seuil. Paris. 325 p. 199 2.
BOGAERT, Geneviève Van Den. Introduction. In: GAUTIER, Théophile. Mademoiselle de Maupin . GF – Flammarion. Paris. P. 13. 1966.
“journal pudique et progressif” [tradução nossa]
TORTONESE, Paolo. Notices et Notes. In: GAUTIER, Théophile. Oeuvres. Robert Laffont. Paris. p. 1564. 1995.
Terminons par une réflexion que les siennes provoqueront sans doute chez plus d'un de nos lecteurs: à quel degré de dépravation de goût et la morale sont-ils arrivés pour qu'on ose signer un pareil article et pour qu'une feuille périodique ose le publier? [tradução nossa]
GAUTIER, Théophile. Préface. In: Gautier, Théophile. Mademoiselle de Maupin . GF – Flammarion. p. 25.
1966.
Une des choses les plus burlesques de la glorieuse époque où nous avons le bonheur de vivre est incontestablement la réhabilitation de la vertu entreprise par tous les journaux, de quelque couleur qu'ils soient, rouges, verts ou tricolores. [tradução nossa]
GAUTIER, Théophile. Préface. In: Gautier, Théophile. Mademoiselle de Maupin . GF – Flammarion. Paris. P. 33. 1966.
Tout ce que nous venons de dire ici n'est pas pour éconer le piédestal de Molière; nous ne sommes pas assez fou pour aller secouer ce colosse de bronze avec nos petits bras; nous voulions simplement démontrer aux pieux fauilletonistes, qu'effarouchent les ouvrages nouveaux et romantiques, que les classiques anciens, dont ils recommandent chaque jour la lecture et l'imitation, les surpassent de beaucoup en gaillardise et en immoralité. [tradução nossa]
A quoi sert ce livre? Comment peut-on l'appliquer à la moralisation et au bien-être de la classe la plus nombreuse et la plus pauvre? Quoi! Pas un mot des besoins de la société, rien de civilisant et de progressif! Comment, au lieu de faire la grande synthèse de l'humanité, et de suivre, à travers les événements de l'histoire, les phases de l'idée régénératrice et providentielle, peut-on faire des poésies et des romans qui ne mènent à rien, et qui ne font pas avancer la génération dans le chemin de l'avenir? Comment peut-on s'occuper de la forme, du style, de la rime en présence de si graves intérêts? – Que nous font, à nous, et le style et la rime, et la forme? C'est bien de cela qu'il s'agit (pauvres renards, ils sont trop verts)! (...)
Non, imbéciles, non, crétins et goitreux que vous êtes, un livre ne fait pas de la soupe à la gélatine; - un roman n'est pas une paire de bottes sans couture; un sonnet, une seringue à jet continu; un drame n'est pas un chemin de fer, toutes choses essentiellement civilisantes, et faisant marcher l'humanité dans la voie du progrès.[tradução nossa]
Il n'y a de vraiment beau que ce qui ne peut servir à rien; tout ce qui est utile est laid, car c'est l'expression de quelque besoin, et ceux de l'homme sont ignoble et dégoûtants, comme sa pauvre et infirme nature. – L'endroit le plus utile d'une maison, ce sont les latrine.
Moi, n'en déplaise à ces messieurs, je suis de ceux pour qui le superflu est le nécessaire, - et j'aime mieux les choses et les gens en raison inverse des services qu'ils me rendent. [tradução nossa]
DO RIO, João. In: WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray . Livraria Garnier. Rio de Janeiro. p. IX . 1923.
WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray . Livraria Garnier. Rio de Janeiro. p. V. 1923.
WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. . Editora Francisco Alves. Rio de Janeiro. p. 11. 1991.
PRAZ, Mario. A Carne, a Morte e o Diabo na Literatura Romântica. Editora da UNICAMP. Campinas. p. 190. 1996.