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A escritura do dândi na travessia da morte
Latuf Isaias Mucci (UFF)
Para o Buda –
jovem saquaremense -,
arrebatado aos Céus na flor dos anos.
Fundador da poesia moderna, Baudelaire (1821-1867) traça, em Le peintre de la vie moderne, no capítulo, precisamente nomeado Le Dandy, o retrato irretocável do dândi, um retrato melancólico, segundo Benjamin (1892-1940), todavia esplendoroso e heróico, porque sol poente em tempos de decadência 1. Em seus Journaux intimes , no capítulo Mon coeur mis à nu, o poeta francês, dândi ele mesmo, com todas as letras e cores, depois de, na rubrica III, ter negado à mulher, porque “ naturelle”, o título de “ Dandy” , cunha um fragmento emblemático: “ “Le Dandy doit aspirer à être sublime sans interruption; il doit vivre et dormir devant un miroir” 2. Na lição de dandismo moderno, Baudelaire erige o signo do espelho, que refrata outro signo: Narciso. Com efeito, o dândi vive como Narciso, aquele ser enamorado de si mesmo e que não cessa de se contemplar no espelho das águas de um lago. Como canta Caetano Veloso: “Para Narciso, tudo é espelho”. Qual Narciso, o dândi figura-se “ le bel indifférent ” (Cocteau), indiferença essa que remete à “arte desinteressada” (Kant). Vivendo diante do espelho, o dândi não especula sua beleza física, sua indumentária, seus gestos; ou ele não perscruta apenas a aparência externa; o dândi-narciso busca-se na luz dos espelhos, mergulha em seu interior através da luz do espelho, como no ritual rosa-cruz, em que o fiel medita, olhando-se, à luz de uma simples vela, no espelho. Outro escritor francês moderno, André Gide (1869-1951), explora, em Traité du Narcisse (1891), esse mito fundante, considerando-o a aventura mesma do espírito, votado ao absoluto e constrangido de reconhecer suas próprias representações. Nas águas heraclitianas do lago, Narciso reflete sobre o paraíso perdido, sente saudade do Paraíso, cuja imagem apenas pode vislumbrar na beleza movente. Já Paul Valéry (1871-1945) constrói toda uma poética e uma autobiografia poética em torno do mito de Narciso, na medida em que seus poemas “ Narcisse parle” (1891), “ Les fragments du Narcisse ( 1922), “ Cantate du Narcisse” (1938) privilegiam o signo, tornado símbolo do esforço do mais puro do espírito para surpreender a si mesmo e se apreender. Deplorando “ le malher d'être une merveille” , o Narciso valéryano encontra, no espelho das águas, “ un trésor d'impuissance et d'orgueil”. Para Valéry, o mito de Narciso representa, ao fim e ao cabo, a frágil relação, que une provisoriamente a consciência e o corpo, o “eu” e sua aparência. Para a geração de artistas que se segue ao simbolismo - os decadentistas, portanto -, Narciso decifra-se além da compaixão (“o erro de Narciso”, que despreza as belezas do universo e prefere contemplar-se a si mesmo ) para ver, na natureza humana, o conflito da identidade e da dualidade. Sem o lago, Narciso não poderia nunca admirar-se: para que ecloda a consciência de si, a natureza é necessária. Ao mesmo tempo, o “eu” descobre-se inesgotável. Mas ressente-se dos limites da imagem que o lago lhe reenvia. Por conseguinte, Valéry opõe-se ao sentido tradicional do mito, que considera como erro o amor de si mesmo. Os amantes ficam, com efeito, separados e estranhos entre si, ao passo que Narciso conhece a felicidade da plenitude: “ O mon bine souverain, cher corps, je n'ai que toi!/ Le plus beau des mortels ne peut chérir que soi...” // J'aime... J'aime... Et qui peut aimer autre chose/ Que soi-même? (...).
Se o dândi vive diante do espelho, as águas desse lago representam a obra de arte, como postula Gide, para quem Narciso simboliza o poeta que, por detrás das aparências imperfeitas, quer descobrir os arquétipos e as essências: “ cristal – paradis partiel ou l'idée refleurit en sa pureté supérieure”.
Relendo, destarte, o dandismo nas dobras do mito de Narciso e seu espelho implacável, damo-nos conta de que o dândi vive espelhando-se na escritura, obra de arte, lago fatal, aonde vêm mirar-se, sem cessar, todos aqueles que buscam a contemplação de si, o absoluto, a beleza imortal. Inventores da écriture artiste , Edmond (1822-1896) e Jules de Goncourt (1830-1870) – no Brasil, a écriture artiste inaugurou-se, segundo Mário de Andrade, com Raul Pompéia (1863-1895) - poderão, em seu Journal (1851-1896), enunciar: “ L'art c'est l'éternisation, dans une forme suprême, absolue, définitive de la fugivité d'une créature ou d'une chose humaine” . Pois que Deus morreu, só pela arte o ser humano tem acesso à imortalidade, talvez uma falaciosa imortalidade, mas não existe outra. Na ária “ Che gelida manina”, da ópera La Bohème (1896), de Puccini (1858-1924), Rodolfo canta o que poderia ser o hino do dândi: “ Chi sono? Sono un poeta/ Che cosa faccio? Scrivo/ E como vivo? Vivo”. Em seu desassossego estético, poderá Fernando Pessoa (1888-1935), travestido de Bernardo Soares, exclamar: “ Quero ser uma obra de arte, da alma pelo menos, já que do corpo não posso ser. Por isso me esculpi em calma e alheamento e me pus em estufa, longe dos ares frescos e das luzes francas – onde a minha artificialidade, flor absurda, floresça em afastada beleza” 3. Escrevendo, o dândi vive e a escritura é sua vida. No lago da escritura, o dândi transforma-se em “ fleur d'or ” (Valéry). Nosso modernista Guilherme de Almeida (1890- 1969), eleito, em 1959, “príncipe dos poetas brasileiros”,cunhará uma expressão, digna do mais exigente esteta: “ Minha vida é plágio de minha obra “. A uma revista gaúcha Walmir Ayala (1933-1991), poeta gaúcho-carioca-saquaremense, revela-se em fragmento, onde ouvimos os ecos do Novo Testamento: “Viver, viver e escrever de forma quase inconsútil”. Auscultando Narciso, Rémy de Gourmont (1858-1915) considera que o crime capital para um escritor é o conformismo, a imitação, a submissão às regras e aos cânones. A obra de um escritor deve ser o reflexo ampliado da sua personalidade. A única desculpa que um homem tem para escrever é escrever a si próprio, é revelar a espécie de mundo reflexo no seu mundo original; a sua desculpa é ser original: deve dizer coisas ainda não ditas, e dizê-lo de uma forma inédita. Deve criar-se a sua própria estética.
Relendo, agora, o dístico baudelairiano, dele extraímos a segunda parte “o dândi dever viver e dormir diante do espelho”, substituindo, nessa metonímia do dândi, o verbo “dormir” por “morrer”. Se o dândi vive diante do espelho, como morre o dândi? Ele morre, igualmente, diante do espelho, diante do espelho da escritura, mirando-se no espelho da écriture artiste. No belíssimo poema “Mulher ao espelho”, Cecília Meireles (1901-1964) tange, mesmo morto o eu lírico, uma canção fúnebre, no grand finale da vida e do poema: “Mas quem viu tão dilacerados,/ olhos, braços e sonhos meus,/ e morreu pelos seus pecados/ falará com Deus./ Falará, coberta de luzes,/ do alto penteado ao rubro artelho”, e inscreve, sacra e narciseamente, um outro dístico emblemático: “Porque uns expiram sobre cruzes,/ outros, buscando-se no espelho”. Busca-se no espelho o dândi. Que encontra? Um ser de escritura, talvez dilacerado até em seus sonhos, talvez morto pelo pecado da escritura, mas que fala com o deus da arte, coberto das luzes do texto-dândi. Qual Narciso, o dândi não morre, metamorfoseia-se em flor, flor cor de açafrão, flor de ouro, pura purpurina. Seu lago são as linhas e as letras da escritura. Outra poetisa, a norte-americana Sylvia Plath (1932-1963), decretará, em seu longo poema Lady Lazarus : Dying/ Is an art, like everything else./ I do it exceptionally well 4. A torturada poetisa de Ariel (1966) terá consumado esteticamente sua terceira, e fatal, tentativa de suicídio, em 11 de fevereiro de 1963, com apenas, portanto, 30 anos, ela que se acreditava ter, como os gatos, nove vidas. Sem dúvida que, enfiando a cabeça no forno aberto do fogão a gás da cozinha da casa em que morava com o marido, o poeta inglês Ted Hughes, terá ela alegorizado as câmaras de gás nazistas, mesmo não sendo , nascida em Boston, judia, mas filha de mãe austríaca e pai alemão. Foi mais trágico o lago da bela Sylvia.
O dândi deve mourir en beauté , para isso preparando, na escritura, o ritual de sua morte. Sá-Carneiro (1890-1916) , esfinge-dândi, “jovem Narciso talentoso e sem norte” (António Quadros), não só anunciou, por carta, a seu íntimo amigo Fernando Pessoa seu iminente suicídio e descreveu a forma de matar-se, como compôs um poema de apenas duas estrofes, sem título, posteriormente nomeado “Fim”, onde trata a morte como um grande espetáculo. Morto, o dândi imortaliza-se no poema: “ Quando eu morrer, batam em latas,/ Rompam aos berros e aos pinotes - / Façam estalar no ar chicotes,/ Chamem palhaços e acrobatas.// Que o meu caixão vá sobre um burro/ Ajaezado à andaluza:/ A um morto nada se recusa,/ E eu quero por força ir de burro... Paris, 1916”. Não foi em lombo de burro o corpo morto de Sá-Carneiro, mas o cadáver, esverdeado pela forte dose de estricnina, envergava um solene smoking , como vestido para um grande espetáculo, talvez uma ópera.
Coincidentemente, dois poemas tematizando a morte - a morte do dândi - têm o mesmo incipit do poema de Sá Carneiro: o poema de Mário de Andrade (1893-1945), “Quando eu morrer quero ficar”, postumamente publicado em Lira paulistana (1946), e o poema “Compromisso”, de Walmir Ayala, impresso no jornal “Tribuna da Região”, de Saquarema-RJ, em outubro de 1990, e datado de 11 de agosto de 1990, portanto exatamente um ano antes de seu falecimento (a 9 de agosto de 1991), o que configura o poeta como profeta. É interessante ainda notar que o primeiro verso do poema “Fim”, de Sá-Carneiro, torna-se título e primeiro verso de poema de Castro Alves (1847-1871), nosso romântico épico: “Quando eu morrer. Quando eu morrer... não lancem meu cadáver/ No fosso de um sombrio cemitério... (...).
Mário de Andrade foi por Telê Ancona Lopez, sua mais renomada estudiosa, chamado de “dândi feio”, o que configura, aparentemente, um paradoxo, na medida em que dandismo equivale a beleza, primeiramente física. Nesse estranho sintagma, talvez a professora paulista tenha querido dizer que Mário, nosso Mário, mulato assumido, “tupi tangendo um alaúde”, tenha, na postura e na escritura, uma pose de dândi, mesmo não correspondendo aos padrões da beleza britânica, origem do signo dandy , cujo primeiro paradigma foi o inglês George Bryan Brummel (1778-1840). Ora, não eram exemplos de beleza física outros dândis famosos, como o citado Sá-Carneiro e o celebérrimo, por obra e vida, Oscar Wilde (1854-1900). Não resta dúvida, porém, de que Mário de Andrade foi um dândi, na elegância refinada (como comprovam suas inúmeras fotos, onde faz, sem cerimônia, pose), na cultura, na arte, na pesquisa, na obra. Mário de Andrade foi Narciso, mirando-se em 300, 350 lagos. Em 1933, aos completar quarenta anos, Mário elabora este pré-testemento estético – “Quarenta anos” – poema que revela seu amor à vida e ao poema, que imortaliza o poeta: “ A vida é para mim, está se vendo,/ Uma felicidade sem repouso;/ Eu nem sei mais si gozo, pois que o gozo/ Só pode ser medido em se sofrendo.// Bem sei que tudo é engano, mas sabendo/ Disso persisto em me enganar...eu ouso/ Dizer que a vida foi o bem precioso/ Que eu adorei foi meu pecado...horrendo// Seria, agora, que a velhice avança, / Que eu me sinto completo e além da sorte,/ Me agarrar a esta vida fementida.// Vou fazer do meu fim minha esperança,/ Oh sono vem!... Que eu quero amar a morte/ Com o mesmo engano com que amei a vida”. Esse sublime poema antecede o definitivo testamento estético de nosso modernista-mo, um poema sem título, como os demais de Lira paulistana, reconhecido pelo seu incipit, ou verso inaugural: “Quando eu morrer quero ficar, /Não contem aos meus inimigos, /Sepultado em minha cidade,/ Saudade. //Meus pés enterrem na rua Aurora, / No Paiçandu deixem meu sexo,/ Na Lopes Chaves a cabeça/ Esqueçam. // No Pátio do Colégio afundem/ O meu coração paulistano:/ Um coração vivo e um defunto/ Bem juntos.// Escondam no Correio o ouvido/ Direito, o esquerdo nos Telégrafos, / Quero saber da vida alheia, / Sereia. // O nariz guardem nos rosais, / A língua no alto do Ipiranga/ Para cantar a liberdade. / Saudade...// Os olhos lá no Jaraguá / Assistirão ao que há-de vir, / O joelho na Universidade, / Saudade...// As mãos atirem por aí, / Que desvivam como viveram,/ As tripas atirem ao Diabo,/ Que o espírito será de Deus. // Adeus. “ Alhures 5, tivemos a oportunidade de operar uma leitura semilógica desse poema, revelador de “uma vocação epicizante” (Massaud Moisés). Dãndi, às vésperas de sua morte, Mário de Andrade imortaliza-se, despedaçando seu corpo pelos sítios de sua Paulicéia amada, desconstruindo os retalhos do corpo arlequinal modernista, em enlaço fatal com sua cidade.
Também Walmir Ayala foi dândi em vida e em obra. Com ele convivi, fui comparsa, aos domingos, de sua lauta mesa de almoço, em que figurava como paterfamilia. Criança ainda, cantou no coro da Ópera de Porto Alegre e manteve, a vida toda, o hábito de cantar árias, inspirando-se em Maria Callas, sua soprano favoritíssima. Em sua casa colonial em Saquarema-RJ, aonde vinha todo fim de semana, usava um robe de seda e postava-se à porta, esperando visitas noturnas. Lavrou seu testamento poético no jornal local, significativamente chamado “tribuna”: “Compromisso. Meus amigos, meus conhecidos, meus afetos e desafetos,/ meus leitores e detratores, ouçam e atendam: /quando chegar a hora do meu último repouso, /busquem meu corpo onde ele estiver, /na poeira do Rio ou na neve gaúcha,/ nalgum Japão antípoda ou aqui mesmo, / na Rua Dr. Luiz Januário, uma rua que possivelmente já tenha perdido os belos paralelepípedos/ em nome do duvidoso progresso. / Busquem meu corpo de carro ou rabecão, de carrinho de mão /ou num simples lençol usado, /e depositem ali, atrás da igreja da mãe de Nazaré, /naquela terra que o mato insiste em invadir / e onde não há sinal de diferença de classe ou de sonho, tão singelas são as lápides. /Deitem-me ali com toda a memória possível que tenham de mim, / lembrem e inventem sobre a minha vida, mas deixem-me ali. /Quero enfrentar a vida eterna com prazer,/ o vento e o azul fazendo um toldo móvel sobre o meu peito./ Eu e o silêncio/ ouvindo eternamente o mar. “ Foi cumprida a última vontade do dândi, pois seu corpo, trazido de carro do Rio, foi sepultado no cimetière marin de Saquarema e eu pude declamar, entre lágrimas, esse poema de versos brancos e de um fôlego só, onde ecoa a liturgia da missa pelas palavras de Cristo: “Fazei isto em memória de mim”. Místico fervoroso, Walmir Ayala desejou seu repouso definitivo junto à igreja de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Saquarema e protetora das ondas locais.
Nesse testamento estético, podemos encontrar a concepção de literatura como memória e invenção, tradição e inovação, história e ficção: “lembrem e inventem sobre a minha vida”. O poeta torna-se objeto de texto artístico. Morto, imortaliza-se na ficção literária.
Se, num gesto metonímico, deslocarmos do poema os dois últimos versos, teremos um haicai, que aflora uma revelação, a revelação final: “Eu e o silêncio/ Ouvindo eternamente / O mar”.
Por outro lado, amalgamando-se num único verso esse dístico derradeiro, estaremos diante de um dodecassílabo, ou alexandrino, solene, soleníssimo, usado, segundo a tradição, nas epopéias hagiográficas, nos discursos majestosos, uma métrica, portanto, própria para um poema que anuncia o fim, o fim do corpo, mas não do poema inacabado: “Eu e o silêncio ouvindo eternamente o mar”.
Em poema, significativamente designado “Arte poética”, Walmir Ayala inscreve um epílogo, que funde vida, morte e arte: “(...) Mas às vezes faço poema como erguendo/ um punhal contra a rosa, ou contra mim,/ como quem morre e resiste e quer morrer/ assim (...)”.
Dândis paradigmáticos, Mário de Andrade e Walmir Ayala operam a travessia da morte, por uma écriture artiste , que resgata o valor sagrado da escrita, como na Antigüidade egípcia que representa Thot a extrair os caracteres da escrita dos retratos dos deuses. Assim, a escrita surge à imagem de Deus , tem uma origem sagrada; depois, identifica-se com o homem. É o sinal visível da Atividade divina, da manifestação do Verbo. Alguns esoteristas mulçumanos consideram as letras do alfabeto como elementos constitutivos do próprio corpo de Deus 6.
Sábios, muito sábios, esses dândis-poetas-profetas, perscrutadores de si no espelho da escritura, enamorados da vida e amantes da morte, enformadas no texto da Arte.
MUCCI, Latuf Isaias. Ruína & simulacro decadentista: um leitura de Il piacere , de D'Annunzio. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, p. 49-53, 1994.
BAUDELAIRE, Charles. Oeuvres complètes. Robert Laffont, Paris , p. 406, 1986.
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. Companhia das Letras, São Paulo, p. 138, 2002.
PLATH, Sylvia. Ariel . Peguin Books, New York , p. 62, 1986.
MUCCI, Latuf Isaias. Interlúdios: arte, ciencia e tecnologia. Booklink, Rio de Janeiro, p. 122-135, 2004.
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dário de símbolos. Trad. Vera da Costa e Silva et alii. José Olympio, Rio de Janeiro, p. 385, 1988.