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Identidade, alteridade e etnia na escritura de Antonio Tabucchi: considerações sobre a representação do cigano
Valéria Isoppo (UFSC)

Antonio Tabucchi é italiano, mas bem passaria por português. Professor de literatura portuguesa em Siena e curador da obra de Fernando Pessoa para o italiano, o escritor tem com Portugal uma relação intensa. Bastante conhecido na Europa, é traduzido no Brasil pela Rocco, editora pela qual publicou alguns livros ficcionais. Tabucchi é autor de romances, contos, ensaios e textos teatrais e, além de ter suas obras traduzidas para mais de trinta línguas, adaptadas para o cinema, a dança e o teatro e premiadas em vários países, é autor de ácidas críticas em periódicos de seu país e do exterior à crescente "fascistizzazione" e à "dettatura della parola" na Itália de Berlusconi.

Neste artigo gostaria de apresentar parte de minha pesquisa sobre alguns aspectos da literatura de ficção de Antonio Tabucchi. Mais especificamente, pretendo conjugar uma abordagem da questão cigana na contemporaneidade à leitura da representação dessa temática na prosa de ficção do autor italiano.

Para tanto, parto de A cabeça perdida de Damasceno Monteiro - livro de 1997, publicado no Brasil pela Rocco em 1998 - e, para melhor discutir a (não)representação do cigano no romance, utilizo também elementos de Gli zingari e il rinascimento: vivere da Rom a Firenze (em português Os ciganos e o renascimento: viver como Rom em Florença ), livro de 1999, ainda não publicado no Brasil, que consiste em uma reportagem sobre a condição de exílio dos ciganos Rom na cidade de Florença.

O escopo destas leituras, que se pretendem críticas, é problematizar questões tais como o deslocamento, o preconceito, a discriminação, as políticas de exclusão ou assimilacionismo de minorias étnicas e a questão do sujeito e da afirmação identitária subalterna nas representações ficcionais da contemporaneidade. 1

 

I.

Portugal é ainda o cenário para mais um romance do italiano Tabucchi. Ambientado na cidade do Porto, A cabeça perdida de Damasceno Monteiro traz à tona a realidade atual do povo cigano em Portugal, de onde fora degredado no século XVI.

Na ficção de Tabucchi, é num campo cigano da periferia portuense que a história vai começar, quando é encontrado um cadáver sem cabeça do qual não se sabe a identidade. 2 O protagonista, Firmino, que trabalha para um jornal de Lisboa, é enviado para a cidade do Porto para acompanhar as investigações. A cabeça do cadáver é encontrada dois dias depois num rio: a vítima era Damasceno Monteiro, garoto pobre da região. Rapidamente Firmino desvenda o enigma, mas tal crime logo se revela uma intrincada trama que envolve as autoridades da cidade e o tráfico de drogas. Entra então em cena o advogado Lóton, que vai ajudar na descoberta de que Damasceno Monteiro fora assassinado por tentar roubar dois pacotes de heroína, comercializados ilicitamente pela firma onde trabalhava. Aconselhado por Lóton, Firmino denuncia o envolvimento dos assassinos com o tráfico local, mas os acusados são absolvidos e o jornalista volta a Lisboa.

A cabeça perdida de Damasceno Monteiro é um falso policial, pois "cedo se conhecem o assassino e as motivações do delito". 3Em A cabeça perdida de Damasceno Monteiro tem-se uma situação enigmática, mas o autor privilegia a voz do protagonista Firmino, um jornalista em crise, que, escrevendo para "um periódico de escândalos e de assassinatos, divórcios, mulheres desventradas e cadáveres decapitados", 4 vivia na eterna frustração de não estar se dedicando às suas pesquisas literárias.

Firmino, no início do romance, parece não se preocupar muito com as questões éticas de sua própria narrativa jornalística, mas "a estrada que percorre para colher as provas e testemunhos do assassinato representam um percurso de formação intelectual e moral que transforma lentamente a obra em um verdadeiro bildungsroman ". 5

A evolução do personagem Firmino corresponde, portanto, "à transformação da fórmula narrativa", na qual "passa a ser preponderante a dimensão filosófica e civil" 6.

O jornalista descobre-se e descobre a cidade no decorrer do livro.

 

Firmino sentiu uma onda de simpatia por aquela cidade pela qual provara, sem conhecer, uma certa desconfiança. Concluiu que todos somos alvos de preconceitos, e que, sem perceber, ele tinha falhado com a dialética [...] 7.

 

O Porto é uma cidade que o leitor "gradualmente conhece e aprende a amar no seu ser contemporaneamente inglesa e árabe, cínica e sensível, acolhedora e hostil", 8 luz e sombra. Mas também ali se pode "observar de que modo é a partir da negação das sombras que a luz impera" 9.

A presença cigana em A cabeça perdida de Damasceno Monteiro é tangencial. E na sombra, na margem deste romance, está finalmente Manolo, o cigano.

O romance inicia com Manolo que, saindo para urinar à noite, encontra o cadáver de Damasceno Monteiro, desencadeando o thriller . O cigano Manolo, para a trama policial, é somente "o homem que encontrou o cadáver decapitado". 10

Poderíamos nos concentrar no desvendamento do mistério da morte de Damasceno Monteiro e do envolvimento de autoridades policiais com o narcotráfico, mas, olhando por outro ângulo, provavelmente o menos óbvio, o do olhar que busca perceber o outro em sua marginalidade, podemos ler um pouco sobre como vivem os ciganos hoje, no Porto, em Florença, nas cidades do mundo para onde migraram, fugitivos em busca não de uma terra prometida, mas de uma terra qualquer, no globo, onde pudessem estabelecer seus acampamentos com dignidade.

Mas como é concebido e como textualmente se configura esse outro? A comunidade cigana está ali presente quase de forma metafórica, numa "presença d'ausência". 11

Tabucchi não nos traz os ciganos em sua faceta circense e exotizada. O que temos nas primeiras páginas de A cabeça perdida de Damasceno Monteiro é justamente um quadro bem colocado de modo a evidenciar a situação de penúria nos acampamentos gitanos da atualidade, que evidentemente não poderiam protagonizar o romance.

Manolo morava num acampamento insalubre às margens do Douro. Vestia sempre, ao acordar e adormecer, os mesmos trajes que ganhara de um domador de leões desdentados. Falava geringonça , uma mistura de romani, português e andaluz e era chamado por sua mulher de El Rey. Diz o personagem:

 

Rei de merda nenhuma, claro, já fora El Rey, fora sim, quando os ciganos eram honrados, quando sua gente percorria livremente as planícies da Andaluzia, quando fabricavam atavios de cobre que vendiam pelos vilarejos e o seu povo vestia-se de preto, com nobres chapéus de feltro, e a navalha não era uma arma de defesa no bolso, mas somente uma jóia de honra, de prata lavrada a cinzel. Aqueles é que eram os tempos de El Rey. Mas agora? Agora eram obrigados a vagar, agora que na Espanha lhes infernizavam a vida, e em Portugal, onde tinham se refugiado, talvez mais ainda, agora que já não havia mais possibilidade de fabricar atavios e mantilhas, agora que tinham de se virar com pequenos furtos e mendicâncias, que porra de rei era ele, Manolo? 12

 

Em poucas páginas temos uma descrição que evidencia a passagem de um passado de honra e dignidade cigana a um presente de estereótipos, mendicância, concessões e ameaças.

O município concedera-lhes aquele terreno lixento às margens da aldeia, na periferia dos últimos sobrados, concedera-o como se fosse um ato de caridade (...) doze meses de concessão por um preço simbólico, e que Manolo lembrasse, o município não se comprometia na construção de infra-estruturas, água e luz nem falar, e para cagar que fossem ao pinhal, os ciganos já estavam acostumados mesmo, assim adubavam o terreno, e eles que se cuidassem, porque a polícia estava a par de suas pequenas falcatruas, estava de olho neles. 13

 

Ao falar do cigano, por vezes se parte de uma noção de normalidade própria para a manipulação do ser do outro. Magalhães 14 lembra a representação dos negros, judeus e ciganos na obra de Gil Vicente, por exemplo, onde são sempre figurados como diferentes, irredutíveis ao mesmo e raramente presentes na literatura canônica.

Se é notável o quase total apagamento da voz do outro , do "estrangeiro" ou do "estranho" na literatura, aprendemos com Said como o "ser" literário canônico também inscreve a si mesmo através do confronto com uma alteridade objetificada, ainda que na ausência representacional desse outro .

 

II.

Em 1999, o alemão Günter Grass, aos setenta e dois anos, recebeu o prêmio Nobel da Literatura por sua dedicação à causa cigana. No mesmo ano chega às livrarias Gli zingari e il rinascimento: vivere da Rom a Firenze , editado pela Feltrinelli de Milão.

Este livro é uma reportagem narrada em primeira pessoa, além de ser uma denúncia de certas situações sofridas pelos Rom em Florença.

Neste livro, Tabucchi acompanha uma pesquisadora estrangeira, Liuba, 15 aos acampamentos nômades dos ciganos no berço do renascimento.

Passamos, então, de uma narrativa ficcional sobre os Rom do Porto a um testemunho sobre a realidade dos Rom na capital da Toscana.

Conforme García, Florença é uma cidade que, por detrás de seu perfil de berço das maravilhas arquitetônicas e artísticas do renascimento, é protagonista da "primeira expedição punitiva de massa contra os estrangeiros emigrados" 16 nos anos 90.

Por uma década se discutiu o destino de cerca de mil ciganos - oriundos de aproximadamente dez famílias Rom e em sua maioria fugitivos das guerras e crises na Macedônia e em Kosovo -, que espontaneamente se instalaram em Florença.

Como afirmam Soliman e Mori, 17 inicialmente os Rom de Florença e arredores movimentavam-se em pequenos grupos mudando sempre de lugar por causa das reclamações dos vizinhos ou da expansão imobiliária. As autoridades locais decidiram então por estabelecer dois "campos nômades" em locais que de fato não interessavam a ninguém. Pudera: um era um antigo depósito de lixo próximo ao rio Arno, sujeito a alagamentos, e outro uma faixa de terra espremida entre uma estrada de ferro e uma rodovia. Ou seja: os lugares destinados aos acampamentos ciganos eram ao mesmo tempo espaços inutilizáveis e ironicamente separados do resto da população de modo estratégico.

Conforme Bauman, 18 há duas formas de separação que visam reduzir problemas institucionais: as territoriais ("o aqui" versus "as terras longínquas") e as funcionais ("o normal" versus "o anormal"). O cigano parece fazer parte de ambas.

Tanto em A cabeça perdida de Damasceno Monteiro quanto em Gli zingari e il rinascimento , temos exemplos do contraste entre o asseio do espaço citadino e a sujeira dos periféricos acampamentos ciganos.

O gueto fiorentino dos Rom se instala em campos fechados por redes metálicas, nos quais a entrada tanto dos Rom como dos não-Rom (os Gagé, em romani) é controlada e registrada. Lá, "são proibidas as casas miseráveis, mesmo não sendo proibida a permanência dos próprios miseráveis". 19 A miséria é permitida e mantida, sem casa. São modernos campos de concentração de miséria.

"O campo Rom está em uma das periferias mais desoladas de Florença. Surge em uma espécie de colina que na verdade é formada pelo lixo acumulado (...) e pelos sacos dos rejeitos hospitalares". 20 Como lembra García, o lixo hospitalar é um dos mais tóxicos e perigosos.

Sem nenhum tipo de infra-estrutura nem subsistência, os ciganos de Florença descritos por Tabucchi ainda são vítimas de situações dramáticas como o fechamento, em pleno mês de agosto (verão na Itália), da única torneira disponível em toda a zona, ou como a história de Alessandro Santoro, um jovem padre que, ensinando crianças e adultos Rom a ler e escrever, se torna inimigo dos novos "donos" de Florença e é expulso pela prefeitura da cidade.

Porém, "nos últimos anos, as organizações Rom e voluntários, apoiados por raros, mas conhecidos intelectuais como o escritor Antonio Tabucchi, pressionaram a prefeitura da cidade para que encontrasse soluções alternativas". 21 Em conseqüência, as autoridades locais autorizaram a construção, em um terreno destinado aos Rom da Macedônia, de seis complexos habitacionais que alojaram trinta famílias ciganas. Criticado pela direita italiana, tal empreendimento é uma chance de as famílias Rom, em condições dignas de habitação, se integrarem social e economicamente à sociedade envolvente.

Tabucchi termina seu livro de denúncia com um manifesto propondo a substituição dos turistas e novos ricos prepotentes por ciganos. É um manifesto que, apesar de seu radicalismo, se coloca em prol da vida. Irônico, García recomenda sua leitura particularmente "às potenciais vítimas da síndrome de Stendhal", para que os amantes da arte que visitam ansiosamente Florença "possam desmaiar por razões menos superficiais". 22

 

III.

Tabucchi, ao atacar a questão cigana na Itália, não faz uma apologia da desterritorialização e do desprendimento identitário, mesmo porque ser cigano não é estar sem identidade ou território. Há inclusive, entre os Rom, aqueles que acreditam na existência de uma "nação cigana", embora ser cigano seja oficialmente estar circunscrito em um grupo étnico.

Na opinião de Antun Blasevic (que é cigano e está fortemente envolvido com as políticas nômades na Itália), a situação atual dos Rom "impõe e põe em discussão um conceito que a humanidade inteira hoje tenta superar - conceito em cujo altar milhões de vidas foram sacrificadas - que é a identidade entre estado e nação". Para o autor,

 

o racismo é mais evidente e detestável quando se exprime através da vontade de fazer coincidir um estado com uma população etnicamente homogênea (...) e os ciganos quebram justamente com isso: a certeza mais sedimentada e prejudicial da cultura prevalente e dominante. 23

 

Creio que a condição cigana hoje pode ser comparada à situação de desterro do exílio 24 sofrido pelo estrangeiro da atualidade.

Dois dos perigos mais comuns que a nação oferece ao estrangeiro são a assimilação - leia-se amnésia voluntária, autodepuração, vergonha e censura do próprio passado - e o isolamento - nostalgia ensimesmada, escravização à memória, idealização das raízes.

Estrangeiros em toda parte, desprovidos da retórica do pertencimento e de marcos historiográficos e geográficos, os ciganos são do território do não-pertencer, mas estão sempre entre o perigo da assimilação pelas sociedades envolventes e o risco de tornarem-se ilhas periféricas.

Mas muito embora o exílio seja, conforme Said, uma condição criada para negar a dignidade - e que implica em mutilação, mudez e perda -, é um lugar ambivalente, que se pode subverter e de onde se pode ver e dizer o quanto o mundo todo é uma terra estrangeira e o quanto nós - que "não somos os outros" - somos tão outros a ponto de sermos "estrangeiros para nós mesmos". 25

Conforme Herzen 26, para não cair no jogo de segregação do pluralismo - que assimila ou exclui - deve-se participar do jogo social sem identificar-se com ele, deve-se exigir que a sociedade dominante conceda direitos a "seres humanos" e reconheça uma esfera pública para além das fronteiras.

Coerente com essa política, o Tabucchi que alude à questão cigana em A cabeça perdida de Damasceno Monteiro é o mesmo Tabucchi das denúncias performáticas de Gli zingari e il rinascimento : o porta-voz de uma perspectiva estético-política que conjuga, no tratamento de questões controversas como a corrupção das autarquias portuguesas ou a presença de acampamentos nômades em espaços citadinos ítalo-lusitanos, a negatividade teórica a uma afirmatividade política, de intervenção institucional pela afirmação da diferença e pelo resgate da dignidade humana.

 

NOTAS:

A palavra "cigano" é, na verdade, o nome com o qual qualificam-se minorias étnicas que a si mesmas chamam de Calon, Rom ou S indi . Então "ser Rom" significa "ser cigano", em romani.

A inspiração para esta história vem de um famoso caso português de impunidade, "O crime de Sacavém" - morte e decapitação, após tortura, do jovem toxicodependente Carlos Rosa, em maio de 1996, numa esquadra da Guarda Nacional Republicana em Sacavém. Tabucchi retoma na ficção um caso mal resolvido da imprensa portuguesa envolvendo autoridades das redondezas. Não por acaso, o romance desagradou a alguns autarcas da região.

s/a. "Il libro della settimana: Antonio Tabucchi, La testa perduta di Damasceno Monteiro", 4 abr. 1997, <http://www.alice.it/cafeletterario/007/cafelib.htm>, acesso em 20 de março de 2004 [trad. própria].

A. Tabucchi, A cabeça perdida de Damasceno Monteiro , Rio de Janeiro, Rocco, 1998, p. 25.

Conforme nota 3 [trad. própria].

Idem.

A. Tabucchi, conforme nota 4, p.65.

Conforme nota 3 [trad. prórpria].

L. A. S. Santos, "As sombras da nação", Revista brasileira de literatura comparada , Rio de Janeiro, Abralic, 1991, p.181.

A. Tabucchi, conforme nota 4, p.39.

I. A. Magalhães , no ensaio "Inscrição e não-inscrição do outro na literatura portuguesa: uma 'presença d'ausência'?", apresentado no XIX Encontro Brasileiro de Professores de Literatura Portuguesa (Curitiba, 2003), utiliza tal expressão, colhida em Manuel de Gusmão, para falar da (não)inscrição do outro na literatura portuguesa.

A. Tabucchi, conforme nota 4, p.10.

Id. , i bid.

Conforme informações da nota 11, p. vi.

Liuba atualmente mora nos EUA, onde pesquisa as populações nômades e ciganas em Portugal, França e Itália.

M. A. García, "Il razzismo nell'Italia di oggi", <http:wwwnoprofit.org/recensioni/tabucchi.htm>, 2000, acesso em: 18 fev. 2004.

N. Soliman e T. Mori, "Un ghetto di Rom a Firenze", <http://www.florin.ms/rom.html>., acesso em: 18 fev. 2004.

Z. Bauman, " , "A construção social da ambivalência", Modernidade e ambivalência , Rio de Janeiro, Zahar Ed., 1999, p.67.

M. A. García, conforme nota 16.

A. Tabucchi apud M. A. García, conforme nota 16.

Idem.

M. A. García, conforme nota 16.

A. Blasevic, "Il popolo senza terra", <http://www.tonizingaro.net/libri.htm>, acesso em 2 mar. 2004.

No sentido saidiano, mais abstrato, do termo. No ensaio "Reflexões sobre o exílio" (do livro homônimo), Said sugere esquecer Joyce e Nabokov e pensar nas massas de exilados desconhecidos sem perspectivas, nas multidões sem documentos ou história para contar (2003, p.49). O exílio aqui seria "a privação sentida por não estar com os outros na habitação comunal" (id., p.50).

T ermo colhido no livro homônimo Estrangeiros para nós mesmos , de Júlia Kristeva (Rio de Janeiro, Rocco, 1994).

Apud Richard Sennet, "El extranjero", Punto de vista , n.51, Bs. As., abr. 1995, p.47.